O governo do Paraná gastou no ano de 2013 aproximadamente R$ 230 milhões a mais na sua rede de universidades estaduais, ao passar de uma despesa de R$ 1,2 bilhão em 2012 para R$ 1,43 bilhão no ano passado. Os números são do Sistema Integrado de Acompanhamento Financeiro (Siaf) da administração estadual.
Parte desse bolo, os investimentos – gastos com obras, instalações, equipamentos, material permanente, entre outros – cresceram 10,63%. Parece muito, mas quando se observa proporcionalmente o que esses dispêndios representaram, é possível perceber que os investimentos perderam espaço no caixa das sete universidades estaduais paranaenses. O total dessas despesas passou de aproximadamente R$ 30,4 milhões para R$ 33,6 milhões. A participação dos investimentos no total de gastos das instituições, que era de 2,52% em 2012, diminuiu para 2,34%.
Por outro lado, as universidades estaduais aumentaram bem mais o peso dos gastos com pessoal e encargos sociais. Essas despesas variaram 21,36% no ano passado e atingiram mais de R$ 1 bilhão – uma diferença de R$ 204 milhões sobre o ano anterior. Em 2012, os valores dispendidos com pessoal representaram 79,27% dos gastos das instituições de Ensino Superior. No ano seguinte, aumentaram para 80,8% do bolo.
Em apenas duas universidades, a Estadual de Maringá (UEM) e a do Centro-Oeste (Unicentro), o aumento dos investimentos superou o crescimento do que foi gasto com pessoal e encargos sociais (veja gráfico). Em três instituições, houve queda nos valores absolutos de investimentos: Ponta Grossa (UEPG, -22,33%), Estadual do Paraná (Unespar, -16%) e do Norte do Paraná (Uenp, -21,54%).
João Carlos Gomes, secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, argumenta que a proporção das despesas com pessoal e investimentos nas universidades estaduais do Paraná está dentro de "uma média nacional favorável". "Para a área de Ensino Superior, pessoal é investimento. 94% dos professores das universidades estaduais do Paraná são mestres ou doutores. O nosso potencial é muito grande", alega.
Gomes aponta que o crescimento expressivo em gastos com pessoal em 2013 foi decorrência de uma política de correção das defasagens salariais, iniciada no ano retrasado. "Isso vai continuar em 2014 e 2015. Havia uma defasagem de 15 anos", afirma. Segundo o secretário, até o final do mês, o governo deve anunciar R$ 40 milhões às universidades estaduais.
Oscar Alves, presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE), acredita que são necessários mais investimentos. "Em educação, quando o assunto é investimento, o céu é o limite." Entretanto, ele argumenta que nas áreas de educação, saúde e segurança, é natural que as despesas com pessoal prevaleçam. Cita também que o Paraná já está sobrecarregado. "É bom lembrar que a obrigação do Ensino Superior público é do governo federal. O Paraná tem o maior número de universidades estaduais do País", diz Alves.
O Paraná possui três universidades federais: do Paraná (UFPR), Tecnológica Federal (UTFPR) e da Integração Latino-Americana (Unila). De acordo com informações do Portal da Transparência do governo federal, do total de gastos da UFPR em 2013, 4,11% foram investimentos. Na UTFPR, 1,25%. Na Unila, os investimentos chegaram a 53,82% dos gastos – mas nesse caso trata-se de uma universidade nova (foi criada em 2010) e a sua estrutura ainda está sendo montada.

Imagem ilustrativa da imagem Investimentos perdem espaço nas universidades estaduais
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