Investimentos perdem espaço nas universidades estaduais
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domingo, 02 de março de 2014
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
O governo do Paraná gastou no ano de 2013 aproximadamente R$ 230 milhões a mais na sua rede de universidades estaduais, ao passar de uma despesa de R$ 1,2 bilhão em 2012 para R$ 1,43 bilhão no ano passado. Os números são do Sistema Integrado de Acompanhamento Financeiro (Siaf) da administração estadual.
Parte desse bolo, os investimentos gastos com obras, instalações, equipamentos, material permanente, entre outros cresceram 10,63%. Parece muito, mas quando se observa proporcionalmente o que esses dispêndios representaram, é possível perceber que os investimentos perderam espaço no caixa das sete universidades estaduais paranaenses. O total dessas despesas passou de aproximadamente R$ 30,4 milhões para R$ 33,6 milhões. A participação dos investimentos no total de gastos das instituições, que era de 2,52% em 2012, diminuiu para 2,34%.
Por outro lado, as universidades estaduais aumentaram bem mais o peso dos gastos com pessoal e encargos sociais. Essas despesas variaram 21,36% no ano passado e atingiram mais de R$ 1 bilhão uma diferença de R$ 204 milhões sobre o ano anterior. Em 2012, os valores dispendidos com pessoal representaram 79,27% dos gastos das instituições de Ensino Superior. No ano seguinte, aumentaram para 80,8% do bolo.
Em apenas duas universidades, a Estadual de Maringá (UEM) e a do Centro-Oeste (Unicentro), o aumento dos investimentos superou o crescimento do que foi gasto com pessoal e encargos sociais (veja gráfico). Em três instituições, houve queda nos valores absolutos de investimentos: Ponta Grossa (UEPG, -22,33%), Estadual do Paraná (Unespar, -16%) e do Norte do Paraná (Uenp, -21,54%).
João Carlos Gomes, secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, argumenta que a proporção das despesas com pessoal e investimentos nas universidades estaduais do Paraná está dentro de "uma média nacional favorável". "Para a área de Ensino Superior, pessoal é investimento. 94% dos professores das universidades estaduais do Paraná são mestres ou doutores. O nosso potencial é muito grande", alega.
Gomes aponta que o crescimento expressivo em gastos com pessoal em 2013 foi decorrência de uma política de correção das defasagens salariais, iniciada no ano retrasado. "Isso vai continuar em 2014 e 2015. Havia uma defasagem de 15 anos", afirma. Segundo o secretário, até o final do mês, o governo deve anunciar R$ 40 milhões às universidades estaduais.
Oscar Alves, presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE), acredita que são necessários mais investimentos. "Em educação, quando o assunto é investimento, o céu é o limite." Entretanto, ele argumenta que nas áreas de educação, saúde e segurança, é natural que as despesas com pessoal prevaleçam. Cita também que o Paraná já está sobrecarregado. "É bom lembrar que a obrigação do Ensino Superior público é do governo federal. O Paraná tem o maior número de universidades estaduais do País", diz Alves.
O Paraná possui três universidades federais: do Paraná (UFPR), Tecnológica Federal (UTFPR) e da Integração Latino-Americana (Unila). De acordo com informações do Portal da Transparência do governo federal, do total de gastos da UFPR em 2013, 4,11% foram investimentos. Na UTFPR, 1,25%. Na Unila, os investimentos chegaram a 53,82% dos gastos mas nesse caso trata-se de uma universidade nova (foi criada em 2010) e a sua estrutura ainda está sendo montada.



