Investimentos na Sanepar são 33% menores
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quinta-feira, 02 de setembro de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os investimentos da Sanepar em saneamento durante o governo Roberto Requião (PMDB) até agora são 33% menores do que os praticados durante os últimos quatro anos do governo Jaime Lerner (PSB). O cálculo é do diretor do consórcio Dominó Holdings, Renato Torres de Faria, que utilizou o Índice Geral de Preços de Mercado (IGPM) para atualizar os valores dos investimentos feitos pela estatal até o fim do primeiro semestre deste ano. A Dominó Holdings e o governo do Estado travam uma batalha jurídica em virtude do acordo de acionistas firmado durante o governo Lerner, que segundo Requião transformou a Sanepar em uma empresa privada.
Segundo Renato Faria, desde que o consórcio Dominó adquiriu 39,7% das ações da Sanepar em junho de 1998, o investimento total da estatal no período foi de R$ 2,108 bilhões. Destes, US$ 1,837 teriam sido realizados no governo Lerner. ''Na média, nos primeiros quatro anos e meio a Sanepar investiu R$ 408 milhões por ano no Paraná. Desde 2003 (data da posse de Requião), os investimentos têm sido em média de R$ 271 milhões'', afirmou.
Paulo Bedavidi, assessor de planejamento da Sanepar, não contestou os números. ''Em valores brutos, porém, os investimentos têm se mantido sempre na faixa de R$ 260 milhões por ano nos últimos anos'', destacou. Bedavidi ressaltou, porém, que o planejamento da empresa prevê um investimento maior em 2005 e 2006. ''A proposta é investir cerca de R$ 1 bilhão, o que daria uma média de R$ 500 milhões'', destacou.
As rusgas entre o consórcio formado pela empresas Andrade Gutierrez, Vivendi, Opportunity e Copel com o governo começaram após Requião anular o acordo de acionistas firmado em 1998 através de um decreto. Requião argumenta que o controle da Sanepar passou a ficar, na prática, na mão da Dominó, o que seria impraticável visto que o governo é o acionista majoritário com 60% das ações. O governador também afirma que o acordo é inválido por ter sido assinado pelo secretário estadual da Fazenda de Lerner, Giovani Gionédis, e não pelo próprio governador.
Renato Faria rejeita os argumentos de Requião. ''Em primeiro lugar, o acordo de acionistas já estava previsto no edital que leiloou as ações. Se o governador quisesse questioná-lo, deveria tê-lo feito naquele momento. Além disso, o consórcio não detém o controle da Sanepar. Temos direito a apenas três das sete diretorias, sendo que o diretor-presidente e o presidente do Conselho de Administração são escolhidos pelo Estado'', disse Renato Faria.
Para o diretor do consórcio, a prova de que o controle da Sanepar não está nas mãos do grupo é a continuidade das práticas da empresa mesmo após o Superior Tribunal de Justiça ter restabelecido o acordo de acionistas no mês passado. ''Todos os programas feitos pela Sanepar têm nossa aprovação, como a tarifa social, por exemplo. A Sanepar é uma empresa modelo reconhecida em todo o País, e não é nossa intenção alterar isso'', disse Renato Faria.


