Ney de SouzaLuiz Eduardo Sebastiani: ‘‘O governo
precisa explicar por que privatizar’’
Cerca de 400 economistas de todos os Estados brasileiros, reunidos entre terça e quinta-feira da semana passada, em Foz do Iguaçu, no 17º Simpósio Nacional de Conselhos de Economia, chegaram a duas conclusões. A primeira é de que a privatização de empresas estatais é necessária para a economia do País. A segunda conclusão é de que a venda dessas empresas só se justifica se o dinheiro arrecadado for aplicado em projetos sociais.
‘‘Senão, seria como uma família vender um imóvel só para jantar em um restaurante de luxo’’, compara Luiz Eduardo da Veiga Sebastiani, de 37 anos, presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon) do Paraná e organizador do evento, realizado no Hotel Carimã. Sebastiani é técnico da Secretaria Estadual de Planejamento.
Na opinião dos economistas, a privatização de empresas públicas só se justifica se os recursos obtidos forem aplicados em setores como saúde, educação e financiamento da agricultura. ‘‘Se for aplicado no custeio imediato da máquina pública (como o pagamento de dívidas dos governos federal e estadual, por exemplo), será um grande equívoco, porque esse patrimônio público foi construído com o esforço de toda a sociedade, que pagou impostos’’, afirma Sebastiani.
Os economistas defenderam também que o processo de privatização deve ser discutido com a sociedade. ‘‘O governo precisa explicar por que privatizar, como isso vai ser feito, e onde o dinheiro será aplicado’’, defende o presidente do Corecon.
Na sua opinião, após a venda das empresas públicas a sociedade precisa fiscalizar os serviços oferecidos pelo setor privado por meio de agências reguladoras. Isso também é necessário nas concessões de bens estatais para a exploração de empresas, como aconteceu com as estradas do Paraná. (V.D.)

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