Investimento de estatais federais despenca no Sul
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
Fábio Galão
Reportagem Local
Os investimentos das empresas estatais estão em uma tendência de crescimento que ignora Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. É o que revelam números do Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
No ano passado, as empresas controladas pela União investiram ao todo aproximadamente R$ 113,5 bilhões, o que representou um salto de R$ 15,6 bilhões em relação a 2012. Na Região Sul, as estatais fizeram investimentos que somaram R$ 3,3 bilhões em 2013, R$ 4,4 bilhões a menos na comparação com 2012. Outras duas regiões, Centro-Oeste e Nordeste, tiveram quedas de valores investidos, mas não tão representativas quanto no Sul (veja gráfico). Nas demais, os investimentos de 2013 superaram os de 2012.
O total investido nos três estados sulistas representou apenas 2,9% do que as empresas dispenderam no ano passado, à frente apenas das regiões Centro-Oeste (0,3% em 2013) e Norte (2,3%). O Sudeste foi o campeão em investimentos (29,9% do total), seguido pelo Nordeste (15,5%) e pelos dispêndios no exterior (10%). Na categoria nacional, que compreende investimentos em localidades que transcendem os limites de uma ou mais regiões, foram destinados 39% dos investimentos. Em 2012, o Sul havia respondido por 7,9% dos investimentos das estatais federais.
Além de terem reservado menos recursos para Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, as empresas controladas pela União gastaram bem menos do que o previsto nesse planejamento. Da dotação para investimentos para a Região Sul, apenas 84,6% foram efetivamente gastos. Esse desempenho foi superior apenas aos registrados no Norte (83%) e no Centro-Oeste (66,2%). No Nordeste e no Sudeste, o índice superou os 90%. Em 2012, o aproveitamento dos recursos reservados para o Sul havia sido de 91,9%, melhor porcentagem entre as cinco grandes regiões brasileiras.
A assessoria de imprensa do Ministério do Planejamento informou que o Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais não se pronuncia sobre investimentos das empresas controladas pela União, por ser apenas um órgão supervisor e não ter caráter gerencial. A política de investimentos caberia a cada estatal, segundo a assessoria.
Ao todo, são 74 empresas estatais federais abrangidas pelo departamento: 67 do setor produtivo e sete do setor financeiro. Das empresas do setor produtivo, 22 integram o Grupo Eletrobras e 21 o Grupo Petrobras.
João Basílio Pereima Neto, chefe do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), não acredita que a diminuição dos investimentos das estatais federais no Sul seja reflexo de uma suposta discriminação.
"O que acontece é que a maior infraestrutura de empresas públicas federais está instalada no Sudeste e no Nordeste. Então, é natural que os investimentos aconteçam mais onde há plantas já instaladas", justifica.
Em todo caso, ele acredita que esses números podem ser usados contra a presidente Dilma Rousseff e a provável candidata do PT ao governo do Paraná, Gleisi Hoffmann, nas eleições deste ano. "Os adversários certamente vão dizer na campanha: Estão vendo? O PT não investe aqui", afirma.


