Investigados na Operação ZR-3 comparecem ao Creslon para colocação de tornozeleiras
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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
Simoni Saris<br>Reportagm Local 

Os investigados pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) na Operação ZR-3 compareceram bem cedo ao Creslon (Centro de Reintegração Social de Londrina) nesta quinta-feira (25) para a colocação das tornozeleiras eletrônicas em cumprimento à determinação judicial.
Pontualmente às 8h30, quando a unidade de regime semiaberto inicia as atividades, apresentaram-se o empresário e membro do CMC (Conselho Municipal da Cidade) Luiz Guilherme Christino Alho, o ex-secretário municipal de Obras e diretor de Loteamento da secretaria Ossamu Kaminagakura, e o empresário José Lima Castro. O ex-secretário municipal do Ambiente, empresário e integrante do CMC Cleuber Moraes Brito chegou cerca de uma hora mais tarde.
Alho estava acompanhado do seu advogado, Guilherme Lopes Araújo, e se recusou a falar sobre o caso alegando que não teve acesso ao processo. O empresário afirmou, no entanto, desconhecer o suposto esquema. "Eu não era frequentador assíduo da Câmara, ia de vez em quando. Não sei nada sobre isso", disse. "Agora vamos ter acesso aos autos para tomar as medidas judiciais cabíveis. (Alho) Não conhece os fatos, vamos ver quais são para depois nos manifestar. Não sei nada sobre o esquema, cabe ao Ministério Público produzir essas provas", disse o advogado.
Kaminagakura dispensou a presença de seu advogado e foi sozinho até o Creslon. Ao chegar, disse que soube apenas que seria afastado do cargo na Diretoria de Loteamento e que iria cumprir a medida cautelar determinada pela Justiça. "Não tive acesso ao processo e desconheço o esquema. Só sei do meu afastamento", limitou-se a dizer. Ele é funcionário de carreira da prefeitura há mais de 20 anos e na quarta-feira (24) foi afastado do cargo pela Procuradoria-Geral do Município pela suspeita de envolvimento no esquema de corrupção. O servidor chegou a ser preso na quarta-feira durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na casa dele, quando foram encontradas cinco armas de fogo, mas foi liberado no mesmo dia.

O empresário José Lima Castro também foi ao Creslon, mas não chegou a sair do veículo. Um representante do escritório do advogado André Salvador, que o defende no caso, agendou a colocação da tornozeleira para a tarde.
Cleuber Moraes Brito foi o único que consentiu em dar entrevista. Ele também disse desconhecer a existência de um esquema de corrupção na Câmara Municipal. Brito tem uma empresa especializada na elaboração de EIV (Estudo de Impacto de Vizinhança), mas afirmou que seu trabalho é estritamente técnico. Ele afirmou conhecer os outros apontados como suspeitos de integrar o esquema, mas negou que tenha relações escusas com qualquer um deles. "Conheço essas pessoas, são pessoas com quem eu trabalho e que me contratam. Sou uma empresa que faço trabalhos técnicos, projetos em geral. Não sei por que fui envolvido. Não tenho conhecimento dos autos. Mas não tenho nada a ver com isso, não faço parte de corrupção. Vou ter meu direito de defesa e vou provar que não tenho nada com isso." Brito disse que os valores cobrados pela elaboração do EIV variam, mas jamais chegam a R$ 100 mil, como os promotores afirmam ter identificado.
Takahashi e Alves foram afastados preventivamente de suas funções por 180 dias e na quarta-feira estiveram no Creslon para colocar a tornozeleira eletrônica. Aquino também já instalou o equipamento de monitoramento. A ex-presidente do Ippul Ignês Dequech Alvares está viajando e ainda não foi intimada. Ela deve comparecer ao Creslon na próxima segunda-feira. Souza, Fronja e Mendes também agendaram o procedimento para atender a medida judicial.


