Investigados contestam acusação
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de março de 1997
Mari Tortato Sucursal de Curitiba 
As famílias de Luiz Antonio Eugênio de Lima e de José Edson Carneiro de Souza - os dois funcinários do Banestado apontados ainda não oficialmente de terem mandado dinheiro para o exterior através de contas no City Bank - informaram ontem à Folha que constituíram advogado para responsabilizar os autores da denúncia, que eles garantem serem inverídicas.
Um dos advogados constituídos, Carlos Eduardo Manfredini Hapner - o outro é Alcides Bitencourt Pereira - disse ontem que seus clientes estarão à disposição para falar com a imprensa quando estiverem em condições de dar todos os esclarecimentos a respeito do assunto. A Folha tenta um contato com os dois funcionários desde a última quarta-feira.
Conforme Manfredini Hapner, além desconhecerem a existência de contas no exterior em seus nomes, os dois sequer receberam comunicação oficial do Banestado de que estão afastados de suas funções em consequência de investigação, e que tudo o que tem sido passado à imprensa até o momento está no campo das especulações.
O escritório de Manfredini está organizando a defesa dos apontados de envolvimento em irregularidades nas operações de compra e venda de debêntures da Banestado Leasing, uma vez que resultam de denúncias anônimas e representam uma agressão de seus direitos.
No sábado à tarde, Luiz Antonio de Lima se antecipou com uma nota de esclarecimento público em que contesta todas as acusações. Segundo a nota, as afirmações veiculadas pela imprensa foram extraídas de denúncias apócrifas. Ele afirma que tudo são falsidades derivadas da fantasia do denunciante anônimo e não reproduzem com fidelidade a verdade dos fatos.
Funcionário de carreira do Banestado há 15 anos, Luiz Antonio Lima diz ainda que não possui e jamais possuiu qualquer conta corrente bancária fora do território brasileiro. Nega também ligação em atividade envolvendo direta ou indiretamente a emissão de títulos públicos de qualquer natureza.
A nota informa ainda que o funcionário autorizou o Banestado a tomar as medidas administrativas necessárias para o mais rápido e completo esclarecimento da verdade dos fatos.
Luiz Antonio Lima antecipa ainda que a casa onde reside no bairro do Jardim Social em Curitiba - objeto de investigação da auditoria determinada pelo governador Jaime Lerner sobre a Banestado Leasing - foi edificada em terreno havido da família de sua esposa (Ana Haupt de Lima), com recursos acumulados por ambos ao longo de 20 anos de trabalho.
Ele afirma ainda firme convicção de que sua vida está pautada por sólidos princípios de correção e honestidade e alerta ao denunciante escondido sob o manto da covardia que pedirá à Justiça exemplar punição pela difamação e calúnia de que está sendo vítima, e indenização por danos morais.


