Investigados alegam que são alvos de 'armação' de agentes
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de março de 2012
Loriane Comeli <br> <br> Reportagem Local 
Os três assessores da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) suspeitos de terem exigido o cancelamento irregular de duas multas de trânsito negaram ontem qualquer envolvimento no suposto esquema. Um deles, Rogério Duque, que era assessor técnico da Diretoria de Trânsito, se disse vítima de uma armação dos agentes denunciantes. O motivo, afirmou ele em rápida entrevista à imprensa, seria sua atuação moralizadora na companhia. ''Por conta de atitudes que têm sido tomadas para apurar eventuais condutas irregulares de agentes municipais.''
Contra Duque pesa o fato de que foi cancelada uma multa aplicada contra sua esposa, que conduzia um veículo Renault Logan. Agentes relatam que houve pressão para o cancelamento irregular. O agente que cancelou a multa estaria em estágio probatório e, por medo da demissão, teria aceitado a coação. ''Eu nunca pedi o cancelamento'', afirmou Duque. ''Com certeza sou vítima. Eu tenho diversas multas em meu nome que paguei durante os 17 anos que trabalho na CMTU.'' Rogério Duque disse que tirou férias para se ''restabelecer dessas denúncias''. ''Volto na segunda-feira, mas pedi afastamento da Diretoria de Trânsito para não me imputarem novos fatos.''
A mesma tese foi defendida pelos outros dois suspeitos - Maria do Socorro, que pediu exoneração da coordenação de trânsito, e Maurício Teixeira, coordenador de espaços públicos - a julgar pelas declarações de seus advogados. ''São denúncias bem direcionadas a pessoas que estão realmente esclarecendo e colocando uma gestão limpa dentro da CMTU'', disse a advogada Lilian Velasco, que defende Duque e Texeira. Sobre a afirmação de que Teixeira teria exigido o cancelamento de multa aplicada a ele por não uso do cinto de segurança, a advogada disse ''que somente no momento oportuno'' falará sobre isso.
O advogado de Maria de Socorro, Raje Kassem, também não revelou o conteúdo do depoimento de sua cliente, que teria, juntamente com os outros dois investigados, pressionado agentes para o cancelamento de multas. ''Isso é uma questão entre funcionários internos e agentes e há uma questão de moralização, de transparência da administração pública.'' Segundo ele, sua cliente negou qualquer participação na irregularidade. ''Ela não sabia disso e não há provas ainda. Ainda são meras alegações.''


