Investigações sobre a Câmara não acabaram, diz MP
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quinta-feira, 17 de julho de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Se nos bastidores da política em Londrina já há quem aposte no recesso parlamentar, na proximidade das eleições e nas recentes suspensões de afastamentos de vereadores concedidas pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) como fatores de arrefecimento de uma crise que ultrapassou os seis meses, no Ministério Público (MP) as investigações não têm a mínima previsão de chegar ao fim. A constatação foi feita ontem pela promotora de Defesa do Patrimônio Público, Leila Schimiti Voltarelli, em ocasião significativa: a FOLHA conversava com ela sobre a 14 ação protocolada na Justiça relacionada à crise (leia texto nesta página).
Segundo a promotora, uma das integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ''há várias situações'' referentes ao Legislativo londrinense que, a despeito de recesso ou período eleitoral, continuam em tela no dia-a-dia da Promotoria. Nem todos os casos, explicou, têm relação com delação aceita pelo ex-vereador Orlando Bonilha, em junho, para se ver livre da segunda ordem de prisão, da qual ficara quase duas semanas foragido. ''Continuamos com os trabalhos de tomada de depoimentos e análise de documentos; de casos apontados pelo ex-vereador Bonilha, e outros que já estávamos investigando. O trabalho não pára'', asseverou.
No saldo de 14 ações em seis meses de crise na qual o Legislativo está imerso, lá se vão nove vereadores - dos 18 que tomaram posse em janeiro de 2005 - denunciados por formação de quadrilha em decorrência da prisão de Henrique Barros, em 10 de janeiro, com R$ 9,9 mil supostamente oriundos de propina. Barros renunciou naquele mesmo mês; Bonilha, em março, mas após abertura do processo que resultou em sua cassação, por unanimidade de votos, no final de maio. Enquanto o escândalo segue o trâmite judicial, quatro parlamentares seguem afastados dos cargos por liminares concedidas em primeira instância e reforçadas em segunda - ainda que as mesmas não comprometam, contudo, a remuneração líquida mensal de R$ 5,7 mil dos parlamentares.
Questionada se o MP tinha previsão da abrangência que as investigações tomariam, quando da prisão de Barros, a promotora respondeu: ''Sabíamos que existiam muitos casos semelhantes aos detectados naquele primeiro momento (suposta cobrança de propina de empresários para aprovação de projetos na Casa), tanto que a denúncia por formação de quadrilha aponta sempre um mesmo modo de operação. Mas fomos procurados por vítimas - e à medida em que a investigação foi se ampliando, mais pessoas se sentiram encorajadas a denunciar fatos'', explicou.


