Investigações não apontaram para Dirceu, diz delegado
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de março de 2004
Agência Estado 
Brasília - O encarregado do inquérito do caso Waldomiro Diniz, delegado Antônio César Nunes, da Polícia Federal (PF), informou ontem que as investigações não apontaram até agora para o envolvimento do chefe da Casa Civil, José Dirceu, ou de qualquer outro membro do governo nas denúncias. O único indiciado, por enquanto, é o Diniz, levado por Dirceu para a Subchefia de Assuntos Parlamentares da Casa Civil. Diniz é acusado de corrupção passiva, improbidade administrativa e concussão por ter negociado propinas e doações ilegais de campanha com o suposto bicheiro Carlos Augusto Ramos, o ''Carlinhos Cachoeira'', além de ter intermediado, com dolo, a renovação de contrato entre a multinacional Gtech e a Caixa Econômica Federal (CEF) para operação da rede de loterias.
Segundo o delegado, há elementos para indiciar também o empresário Rogério Buratti, indicado por Diniz para intermediar a renovação do contrato com a Caixa. Ex-secretário de Governo da prefeitura de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, em 1994, quando era prefeito o atual ministro da Fazenda, Antônio Palocci, Buratti será convocado a depor na próxima semana e deverá sair da audiência indiciado. Ele pressionou a empresa a pagar entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões pela intermediação.O contrato foi renovado em abril de 2003, por 25 meses, e renderá R$ 650 milhões de comissão à Gtech.
Da parte do governo, quem está mais perto do indiciamento é a diretoria da Caixa, tanto a atual como a anterior. A renovação do contrato foi reiteradas vezes condenada pela consultoria jurídica e pelos setores técnicos da instituição, até mesmo o Conselho Fiscal, mas as diretorias prorrogaram sucessivas vezes a validade.


