Investigações da Lava Jato podem seguir até fevereiro
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segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - Com o volume de material apreendido e a quantidade de novas informações que estão surgindo na investigação da Lava Jato, os procuradores de Justiça da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) devem oficializar nesta semana um novo pedido de prorrogação da instrução criminal da operação. O MPF pretende formalizar a solicitação junto à Justiça para que a apuração dos fatos seja estendida por mais 120 dias, ou seja, pelo menos até o início de fevereiro de 2015. A primeira prorrogação já tinha sido concedida pelo juiz Sérgio Moro em julho, entretanto, conforme a força-tarefa, este novo prazo é necessário para que mais denúncias possam ser apresentadas.
Entre os novos fatos estão a apreensão de documentos, notas fiscais e planilhas com a ex-contadora de Alberto Youssef, Meire Bonfim da Silva Poza, que ainda não foram totalmente analisados. Ela já prestou depoimento à Polícia Federal (PF), no qual teria feito denúncias contra parlamentares, conforme reportagem publicada na revista Veja neste final de semana. Outro ponto considerado fundamental para se avançar nas investigações é a quebra de sigilo bancário de 12 contas de instituições da Suíça que somam US$ 28 milhões, e que teriam como beneficiários o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, seus familiares, além de um funcionário ligado a Alberto Youssef. O pedido de quebra já foi oficializado pelo MPF na semana passada.
Tais contas seriam alimentadas com recursos desviados durante as obras de construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. "Com o pedido de quebra teremos acesso à movimentação dos valores, de onde veio e para onde vai, desta forma teremos um panorama melhor na investigação", ressaltou à FOLHA o procurador da República Carlos Fernando de Lima Santos. Segundo o MPF, também foram encaminhados pedidos de cooperação para instituições bancárias da China, Hong Kong e Cingapura. "Os próximos cinco meses serão necessários para conseguirmos analisar todo o material apreendido e, consequentemente, oferecer mais denúncias. Estas apreensões devem revelar um universo de outros delitos", destacou.
Defesa
As defesas dos réus, por outro lado, tentam mais uma vez retirar as ações penais da Justiça paranaense. O advogado de Paulo Roberto Costa, Nélio Machado, protocolou petição no Supremo Tribunal Federal (STF), questionando a competência da Justiça do Paraná em julgar os processos decorrentes da Lava Jato. Na petição ele pede declinação de competências das ações para a Justiça Federal de São Paulo ou para a Justiça Federal do Rio de Janeiro. O STF ainda não analisou o pedido.
Delação
Ainda não há, oficialmente, nenhuma tentativa de acordo de delação premiada envolvendo o doleiro Alberto Youssef. Pelo menos esta é a informação repassada pelo MPF e também pela defesa do londrinense. Segundo o advogado Antônio Figueiredo Basto, que defende Youssef, a possibilidade de negociação "não foi sequer levantada". A lei brasileira prevê redução de pena para colaboradores. Ajuda para esclarecer crimes mais graves pode até livrar a pessoa da prisão. "Não se fala em acordo, pelo menos por enquanto. Seguimos trabalhando no caso normalmente", ressaltou Basto.
O MPF informou que não foi procurado por nenhum dos acusados e nem por suas respectivas defesas. Youssef vai completar cinco meses de prisão no próximo domingo e, além de já ser réu em cinco ações penais da Lava Jato, também responde a outros processos na Justiça.
Exames
A doleira Nelma Mitsue Kodama, ré em uma das ações penais da Lava Jato, e que também está presa, vai passar por uma bateria de exames nesta semana. Ela foi internada ontem no hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba, e deve permanecer na instituição de saúde pelo menos até sexta-feira. A ré está sob escolta da polícia. A solicitação de transferência da Penitenciária Feminina de Piraquara (PFP) foi apresentada pela defesa de Kodama, e acatada pelo juiz.


