Curitiba - As investigações da Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em março deste ano, e que revelaram a existência de um esquema de lavagem de dinheiro de cerca de R$ 10 bilhões com indícios de participação de pelo menos 45 pessoas, estão paralisadas há 16 dias. O congelamento dos trabalhos ocorreu no dia 19 de maio, após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki determinar a suspensão dos inquéritos em andamento e das oito ações penais já abertas pela 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba.
No mesmo dia, o ministro autorizou a soltura do ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, uma das peças-chave de toda a investigação. Após a decisão da Suprema Corte, todos os trabalhos desenvolvidos pela PF e pela Justiça Federal do Paraná foram suspensos. Inclusive outras apurações já em desenvolvimento pelo órgão policial. No dia 15 de abril, quando os primeiros relatórios foram encaminhados ao Ministério Público Federal (MPF), a PF informou que estava dando prosseguimento às investigações para abertura de novos inquéritos para apurar principalmente fraudes em licitações, desvios de recursos públicos, corrupção ativa e passiva e sonegação fiscal. Nessa etapa, os trabalhos de apuração tentariam identificar servidores e administradores públicos e políticos envolvidos no esquema de lavagem de dinheiro.
O caso gerou tanta repercussão e é tão complexo que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, designou a implantação de uma força-tarefa formada por seis procuradores para acompanhar as investigações. Para o procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima, que segue atuando na força-tarefa, a suspensão dos trabalhos desenvolvidos até agora causa prejuízo pois ainda há muito material para ser analisado e investigado. "A interrupção do trabalho sempre causa problemas. Temos informações de que foram apreendidos cerca de 80 mil documentos durante a operação da PF, e as oito denúncias feitas até agora se referem a apenas aproximadamente 10% de todo este material. Agora aguardamos uma definição para prosseguir a apuração que precisa ser intensificada."
Com as investigações paralisadas, a força-tarefa auxilia Janot, que acompanha o caso em Brasília e se manifestou favoravelmente ao trabalho realizado na primeira instância, em seu parecer enviado ao STF. Lima acredita que a Suprema Corte deve decidir liminarmente sobre o desmembramento do processo ainda esta semana, ou no mais tardar no início da próxima, pois as ações penais envolvem réus que estão presos preventivamente.
O procurador também adiantou que a força-tarefa já encaminhou manifestação para Janot, questionando o conteúdo da petição apresentada pela defesa de Alberto Youssef. Na semana passada, Antonio Figueiredo Basto entrou com um pedido de anulação das provas da operação Lava-Jato no STF. Conforme o advogado, o juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro, não poderia estar a frente das investigações da Lava Jato, pois tinha se declarado "suspeito" em 2010, em uma ação que tratava da delação premiada concedida a Youssef, para que colaborasse com a Justiça em outros fatos criminosos apurados pela PF. "Já encaminhamos nossa manifestação ao procurador geral e ele já deve, inclusive, ter enviado este posicionamento ao ministro Zavascki", ressaltou o procurador.

Outros órgãos
A PF no Paraná, por meio da assessoria, informou que aguarda a decisão do ministro Zavascki e que não vai se manifestar sobre a suspensão das investigações. A assessoria da Justiça Federal do Paraná também não quis comentar o assunto.

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