Investigações apontam abrandamento das denúncias contra Rodrigo Gouvêa
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de abril de 2010
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
As investigações sobre o vereador Rodrigo Gouvêa (PRP) na Câmara Municipal de Londrina já caminham para as etapas finais em suas respectivas instâncias de apuração. A contar pelos posicionamentos expressos por representantes das duas comissões - a de Ética e uma Processante (CP) -, contudo, o parlamentar já pode antever um cenário de abrandamento: na CP, que vai começar agora a fase de relatório, o relator do grupo, vereador Tito Valle (PMDB), disse ontem que entende ''ser absurda'' a denúncia de que Gouvêa teria mantido uma assessora de gabinete, para atividades eleitorais. A justificativa do peemedebista, que, pelo menos até ano passado, era do bloco político do vereador acusado: ''Nem era ano eleitoral'', disse.
Pela comissão de Ética, que investiga suposta tentativa de Gouvêa esvaziar o plenário para obstruir a votação do projeto ''Minha Casa, Minha Vida'', em junho passado, o presidente, Gerson Araújo (PSDB), admitiu: ao final, mesmo o suposto atentado ao decoro parlamentar, que rendeu essa segunda investigação contra o vereador, pode cair por terra.
A CP foi instalada após denúncia da Corregedoria, segundo a qual Gouvêa teria mantido em seu gabinete a assessora Maria Aparecida Vieira sem que ela desempenhasse as funções legislativas. Segundo a representação do corregedor Rony Alves (PTB), em vez disso, a comissionada teria exercido atividades de cabo eleitoral em reduto de votos de Gouvêa, na Zona Sul. O caso rendeu duas ações ingressadas contra o vereador, na Justiça, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco): uma cível, por suposto ato de improbidade administrativa, e uma criminal, por suposto ato de peculato. Já o caso do projeto ''Minha Casa'', pelo Gaeco, rendeu contra o vereador ação civil e, na criminal, de suposto ato de concussão.
Para o presidente da Comissão de Ética, que tomou, semana passada, o depoimento do vereador Ivo de Bassi (PTN) - que reafirmou depoimento prestado ao Gaeco e disse ter sido abordado por Gouvêa para esvaziar a sessão -, ''pode até ser que se descarte, sim'' a denúncia da Corregedoria. ''Isso (esvaziar ou tentar esvaziar o plenário) acontece em outras câmaras e mesmo em Brasília'', disse o tucano, que espera finalizar a apuração em 15 dias. Na segunda, a comissão ouve Gouvêa.
Já pela CP, o relator afirmou que a resposta do grupo à sociedade ''vai se basear em provas técnicas e não por questões políticas do passado''. Questionado pela reportagem sobre o tipo de denúncia apurada, Valle foi rápido em responder que seria a de suposta assessora ''fantasma'' - tese a que a defesa de Gouvêa se atém para contrapor, por exemplo, alguns dos 12 depoimentos à comissão. Indagado então sobre a suposta atividade de cabo eleitoral - esta, sim, relatada pelo corregedor -, resumiu: ''Entendo ser absurda, nem era período eleitoral''. O relatório da CP tem de estar finalizado até 26 deste mês.


