Investigações ameaçam mandato de 12 deputados
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de julho de 2005
Ana Paula Scinocca e Luciana Nunes Leal<br>Agência Estado 
Brasília - As investigações da CPI dos Correios e do Conselho de Ética da Câmara reuniram até agora depoimentos e documentos que deixam por um fio os mandatos de pelo menos 12 deputados. A lista inclui a elite da Câmara, com líderes de bancada, presidentes de partidos e duas estrelas do PT: José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil, e João Paulo Cunha, ex-presidente da Casa.
Acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de comandar o pagamento de ''mesadas'' a deputados da base aliada do governo, Dirceu já admitiu a vários parlamentares petistas que poderá perder o mandato e, assim como outros investigados, pensa na hipótese de renunciar, para não ser impedido de se candidatar nas eleições do ano que vem.
O ex-ministro está apostando todas as fichas, porém, em seu depoimento no Conselho de Ética, marcado para a próxima terça-feira. ''A punição de Dirceu é muito mais simbólica do que a de qualquer outro deputado, porque ele foi uma figura-chave no governo. Por isso, ele tem clara a possibilidade de perder o mandato, mesmo que até agora não tenha aparecido uma prova concreta contra ele'', diz um parlamentar petista que esteve com o ex-ministro há poucos dias.
Uma das tarefas de Dirceu é convencer o Conselho de Ética de que não sabia da combinação feita pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o empresário Marcos Valério de Souza para que os bancos Rural e BMG dessem empréstimos para o partido. Depois do depoimento da mulher de Valério, Renilda, à CPI dos Correios, Dirceu foi obrigado a reconhecer que teve encontros com representantes dos dois bancos, mas negou ter tratado do assunto. O empresário disse ao Ministério Público ter sido informado por Delúbio de que Dirceu sabia da operação.
A cassação de mandato mais certa até agora é a do próprio Roberto Jefferson, por ter confessado o recebimento de R$ 4 milhões não declarados à Justiça Eleitoral, na campanha municipal do ano passado. Ele foi citado por todos os integrantes da CPI e do Conselho ouvidos pela Agência Estado.


