A investigação que culminou com o afastamento do prefeito Jairo Gianoto ontem começou a ser feita em abril, tendo como alvo o ex-secretário da Fazenda Luis Antônio Paolicchi. Depois de seis meses, o Ministério Público quebrou sigilos, vasculhou dados, confrontou informações e descobriu um rombo de R$ 2,6 milhões nos cofres públicos. No início deste mês, o promotor José Aparecido da Cruz propôs ação civil pública por improbidade administrativa contra Paolicchi, o principal acusado dos desvios. A Folha foi o primeiro veículo a noticiar o assunto, tão logo a promotoria rompeu o silêncio sobre as investigações.
Paolicchi também está respondendo a uma ação criminal proposta pela Procuradoria da República. Ele é acusado de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e peculato. O ex-secretário teve a prisão preventiva decretada e está foragido – estaria na Itália. Há suspeitas ainda de enriquecimento ilícito. Como secretário, ele recebia R$ 4 mil/mês, mas tem um patrimônio estimado em R$ 15 milhões.
O CPI estadual do Narcotráfico também investiga as ligações de Paolicchi com o crime organizado no Paraná. Segundo a CPI apurou, o ex-secretário mantinha ligações comerciais com Hissam Hussein, preso pela CPI, sob a acusação de distribuição de drogas.
O advogado de Paolicchi em Maringá, Moisés Zanardi, disse ontem que seu cliente deve se apresentar nos próximos dias à Justiça Federal. Ele é procurado pela Polícia Federal, que também pediu ajuda à Interpol (polícia internacional) para localizar o ex-secretário.
Amanhã faz três semanas que Zanardi está atuando na defesa de Paolicchi. O advogado, que chegou a anunciar que pediria a revogação da prisão, voltou atrás, alegando que ele está ‘‘considerando a possibilidade de se apresentar’’. Ele garantiu que só conversou com seu cliente três vezes e, ainda assim, ‘‘muito rapidamente’’. O advogado disse que o contato com Paolicchi é difícil, é o cliente que sempre lhe telefona e poucas vezes eles conseguem conversar. Zanardi voltou a afirmar que não sabe onde o ex-secretário está.
O advogado negou que Paolicchi se apresente à Justiça durante o período eleitoral para evitar a prisão. Pelo artigo 236 do Código Eleitoral, ninguém pode ser preso cinco dias antes e dois dias depois do pleito, a não ser que seja em flagrante ou com o processo transitado em julgado. ‘‘Nem cogitamos essa possibilidade porque é besteira e não resolve. É fora da nossa linha’’, garantiu.
Zanardi disse que sugeriu ao seu cliente que se apresente, faça sua defesa pessoal, seja preso e que a Justiça decida posteriormente. Ele disse que não pretende divulgar, quando souber, a data de apresentação de Paolicchi. ‘‘Devo preservar a imagem de meu cliente’’.