Pressionada pela quantidade de denúncias novas que chegam aos gabinetes e pelas investigações não concluídas em mais de um ano de trabalho a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico decidiu transformar-se em comissão permanente na Câmara dos Deputados. Magno Malta (PTB-ES), presidente da CPI, afirmou ontem que a criação da comissão permanente já foi negociada com o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), e que a decisão deverá ser votada no dia 14, quando a CPI divulga o seu relatório final.
Transformada em comissão permanente, a CPI perderá poderes. Não poderá pedir quebra de sigilos bancário, telefônico e fiscal nem convocar autoridades e suspeitos sem seguir uma longa tramitação judicial. Malta reconhece que isso a deixará ‘‘sem a força de investigação’’ que manteve até agora. ‘‘Mas, em troca, teremos um canal aberto e permanente para receber e encaminhar denúncias, que serão investigadas pelo Ministério Público’’, avalia o deputado.
Malta afirma que a rede de poder do narcotráfico no Brasil, descoberta pela CPI, ‘‘é tão grande e complexa’’ que é impossível esgotar qualquer investigação sobre ela ‘‘em dois ou três anos’’ de trabalho. Pompeo de Mattos (PDT-RS) ainda não conseguiu concluir o sub-relatório de São Paulo, que está sob sua responsabilidade, e diz que a ‘‘teia do narcotráfico’’ no estado ainda está longe de ter sido identificada. ‘‘Até a CPI ficou surpresa com a extensão do que descobrimos aqui. O crime organizado permeia o poder público, o sistema financeiro e se estrutura em praticamente todos os níveis da sociedade’’, sentencia.

mockup