Brasília - O número de deputados acusados de receber recursos ilegais das contas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza pode subir nos próximos meses se depender do Ministério Público Federal. O relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), confirmou ontem que as investigações da comissão apontam a existência de novos ''mensaleiros'' e beneficiários do valerioduto.
No entanto, Serraglio disse que não há provas suficientes para que as suspeitas sejam confirmadas. Por conta disso, o documento que aponta a existência de novos ''mensaleiros'' será encaminhado em sigilo ao Ministério Público.
A lista teria 63 nomes além dos 18 já investigados pelo Conselho de Ética da Câmara. O documento foi obtido pelo cruzamento dos nomes de assessores de deputados com dados de saques e visitas à agência do Banco Rural em Brasília, onde era feita a distribuição de recursos ilegais.
Um dos indícios apontados pela comissão é a presença desses assessores de deputados em dias em que Simone Vasconcellos, diretora financeira da SMPB, empresa de Valério, comparecia à agência do Banco Rural em Brasília. Ela confirmou que distribuía recursos a parlamentares na agência.
Serraglio disse que a lista é mais uma prova da existência do mensalão. ''Não é possível que tantas pessoas foram de modo lícito ao Banco Rural para fazer saques'', afirmou Serraglio.
A lista e o relatório final da comissão serão encaminhados na segunda-feira ao Ministério Público.
Os 37 votos em separado apresentados à CPI dos Correios devem seguir conjuntamente ao Ministério Público. Mesmo sem terem sido votados, os votos em separado poderão ser usados pelo MP para a continuidade das investigações.

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