Todas as ligações telefônicas feitas nos últimos dois anos pelo secretário da Fazenda do Rio, Marco Aurélio Alencar, e por outros envolvidos na tentativa de privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) serão rastreadas e cruzadas pela CPI que investiga o caso. O objetivo é saber se os personagens do caso - entre eles deputados que teriam oferecido suborno a colegas, em nome do governo fluminense, para que apoiassem a venda - trocaram telefonemas antes do escândalo. A quebra do sigilo telefônico será pedida na próxima semana à Telerj pelos parlamentares e não depende da Justiça.
Além de Alencar, filho do governador Marcello Alencar, terão o sigilo quebrado o prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde, o de Nova Iguaçu, Nelson Bornier, e os deputados Aluizio de Castro, José Amorim (PPB), Ary Brum (PSDB) e Tuninho Duarte (PFL). Brum e Duarte dizem ter gravado conversas em que Castro e Brum lhes ofereceram as propinas, de US$ 70 mil, o que os acusados negam. O dinheiro viria do secretário e trazido por Bornier, que também alegam inocência. Conde teve gravado um telefonema em que tentou convencer Duarte a votar pela privatização, mas não ofereceu suborno. A quebra vai atingir telefones dos gabinetes, residenciais e celulares. ‘‘Esperamos ter o laudo da Unicamp sobre as fitas na segunda-feira à tarde’’, afirmou o presidente da CPI, deputado Henry Charles (PMDB). Também foram enviadas fitas com as vozes dos acusados, para comparação.
No dia seguinte, serão ouvidos Castro e Amorim, que também apresentarão suas defesas prévias à Comissão de Constituição e Justiça, onde estão sendo processados por suposta quebra de decoro.

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