Investigação quebra sigilo de filho do Alencar no Rio
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de dezembro de 1998
Agência Estado 
Todas as ligações telefônicas feitas nos últimos dois anos pelo secretário da Fazenda do Rio, Marco Aurélio Alencar, e por outros envolvidos na tentativa de privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) serão rastreadas e cruzadas pela CPI que investiga o caso. O objetivo é saber se os personagens do caso - entre eles deputados que teriam oferecido suborno a colegas, em nome do governo fluminense, para que apoiassem a venda - trocaram telefonemas antes do escândalo. A quebra do sigilo telefônico será pedida na próxima semana à Telerj pelos parlamentares e não depende da Justiça.
Além de Alencar, filho do governador Marcello Alencar, terão o sigilo quebrado o prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde, o de Nova Iguaçu, Nelson Bornier, e os deputados Aluizio de Castro, José Amorim (PPB), Ary Brum (PSDB) e Tuninho Duarte (PFL). Brum e Duarte dizem ter gravado conversas em que Castro e Brum lhes ofereceram as propinas, de US$ 70 mil, o que os acusados negam. O dinheiro viria do secretário e trazido por Bornier, que também alegam inocência. Conde teve gravado um telefonema em que tentou convencer Duarte a votar pela privatização, mas não ofereceu suborno. A quebra vai atingir telefones dos gabinetes, residenciais e celulares. Esperamos ter o laudo da Unicamp sobre as fitas na segunda-feira à tarde, afirmou o presidente da CPI, deputado Henry Charles (PMDB). Também foram enviadas fitas com as vozes dos acusados, para comparação.
No dia seguinte, serão ouvidos Castro e Amorim, que também apresentarão suas defesas prévias à Comissão de Constituição e Justiça, onde estão sendo processados por suposta quebra de decoro.


