Investigação não interfere na eleição do TC, dizem deputados
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terça-feira, 02 de julho de 2013
José Lazaro Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - A notícia que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por meio de sua corregedoria, vai investigar suposta interferência do presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, Clayton Camargo, na eleição para uma vaga no Tribunal de Contas (TC) do Estado, não "abalou" a maioria dos deputados estaduais. Em entrevistas à FOLHA, disseram que a investigação não vai interferir no processo. Nas próximas duas semanas, os 54 parlamentares vão escolher o novo conselheiro do TC, cuja remuneração mensal supera R$ 24 mil.
O CNJ confirmou ontem que, em decorrência de notícia publicada pelo jornal "Estado de S. Paulo", vai apurar se o presidente do TJ "negociou" apoio para seu filho, Fábio Camargo (PTB). Ele disputa a vaga contra outro deputado estadual, Plauto Miró (DEM), e mais 43 concorrentes. "De forma alguma meu pai tem tido qualquer tipo de interferência na escolha do próximo conselheiro", defende-se o político do PTB. "A participação dele (Clayton, pai do deputado) é de mero espectador e torcedor. Submeto-me ao crivo dos colegas deputados sem qualquer vantagem escusa sobre os meus concorrentes", continua o parlamentar, afirmando que a denúncia "não foi por iniciativa do próprio CNJ, mas sim provocação de terceiro". Fábio Camargo diz que sua família é "perseguida".
Situação e oposição concordaram que a notícia tem pouca influência na eleição para conselheiro. "Não interfere, não", afirmou Ademar Traiano (PSDB), líder do governo na Assembleia Legislativa (AL). "Só uma situação objetiva poderia alterar o voto de quem está determinado a votar no deputado Fábio", ponderou Tadeu Veneri (PT), líder da oposição. A apuração, segundo o CNJ, pode demorar mais de 60 dias. "Coisas de fora da Assembleia não interferem", disse Bernardo Carli (PSDB). "Cada deputado vota como bem entende e a matéria (do jornal) pode ser infundada", completou Evandro Júnior (PSDB).
A "bancada pé-vermelho" discorda desse consenso. Tercílio Turini (PPS) e Gilberto Martin (PMDB) consideram que a notícia irá pesar na decisão dos parlamentares. "Irá repercutir, sim, mas não muito. O processo está muito afunilado para os deputados estaduais", analisou Martin. "(A investigação aberta pelo CNJ) levanta uma suspeita, que pode ter reflexo na disputa. Eu acho que pode ser levada em conta", afirmou Turini. A homologação das inscrições deve sair até quinta-feira, quando a comissão presidida por Élio Rusch (DEM) deve concluir a análise da documentação. O relator das inscrições será Wilson Quinteiro (PSB).


