Investigação na Câmara depende de cidadão comum
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quinta-feira, 05 de junho de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
O presidente da Comissão de Ética da Câmara Municipal, Roberto Kanashiro (PSDB), disse que a abertura de investigação sobre as irregularidades citadas ao Ministério Público pelo ex-vereador Orlando Bonilha (PR) depende de representação a ser apresentada por um ''munícipe'' londrinense ou por partido político. De acordo com ele, o corregedor Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) ''não vai ter como apresentar'' a denúncia porque é um dos implicados no escândalo.
''A Comissão de Ética não pode fazer a denúncia, ela reage a uma representação. Se o munícipe conseguir alguma prova com o Ministério Público e trouxer à Câmara, teremos que dar um encaminhamento: ou vai para a Comissão de Ética, se for o caso de um atentado ao decoro parlamentar, ou vai direto para uma Comissão Processante, se for ato incompatível com o decoro'', afirmou.
Pelo Código de Ética da Câmara, a tipificação de incompatibilidade com o decoro é mais grave que o atentado e pode levar até a cassação do mandato. Além de Tamarozzi, Bonilha acusou mais 11 vereadores de envolvimento em atos de corrupção. Dentre os citados estão o presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB) e o líder do Executivo, Gláudio Renato de Lima (PT).
A investigação do escândalo que deflagrou a crise na Câmara, a partir da prisão do ex-vereador Henrique Barros (sem partido), em 10 de janeiro, foi motivada por três representações populares. Uma delas, protocolada pelo caminhoneiro Marcos Antônio Frasson, levou à cassação dos direitos políticos Bonilha, no último sábado.
Marasmo
A primeira sessão ordinária da Câmara de Vereadores após a passagem do ''furacão Bonilha'', ontem à tarde, foi morna, rápida e sem votações importantes. Abalados com as declarações do ex-vereador ao Ministério Público, a maior parte dos vereadores ficou pouco mais de uma hora no plenário. A pauta do dia incluía apenas dois projetos, que não passaram por votação - um deles, por ironia, de autoria do próprio Bonilha.
A Câmara aprovou, em bloco, 14 requerimentos. O mais curioso, de autoria de Sandra Graça e Vera Rubbo, visa congratular a ''equipe profissional'' de uma empresa fabricante de elevadores ''por sua nova linha diferenciada''. Também foram aprovadas solicitações de limpeza de bueiros e verificação das condições do asfalto em vias urbanas. O mais relevante, apresentado por Sandra Graça e Antenor Ribeiro, pede à Prefeitura a colocação de sinalizadores educativos nos locais que apresentam maior número de acidentes no município.


