A procuradora Maria Luísa Duarte, que conduziu as investigações sobre a licitação fraudulenta do Fórum e constatou o enriquecimento de Nicolau, considera a quebra do sigilo bancário como ‘‘medida fundamental’’ para identificar eventual remessa de valores para paraísos fiscais. Maria Luísa conseguiu identificar depósitos que somam US$ 12,7 milhões em contas de Nicolau na Suíça, nos Estados Unidos e nas Ilhas Cayman. ‘‘O desbloqueio de dados bancários visa descobrir quem são os beneficiários dos recursos desviados do Fórum’’, ressalta a procuradora.
A quebra do sigilo telefônico também é avaliada como passo importante para estabelecer os contatos mantidos por Eduardo Jorge. No período em que permaneceu no Planalto, o ex-secretário-geral recebeu 117 ligações do juiz Nicolau. Os procuradores pretendem fazer o ‘‘caminho inverso’’. Querem saber, agora, para quem Eduardo Jorge ligou.
Duas informações divulgadas pela AE reforçaram o convencimento dos procuradores sobre a necessidade do inquérito. A primeira é referente ao escritório de advocacia Caldas Pereira – integrado por dois irmãos e uma sobrinha de Eduardo Jorge – que desde 1993 atuou na defesa da Incal Incorporações. O nome do escritório consta dos documentos de defesa encaminhados pelo empreiteiro Fábio Monteiro de Barros Filho à CPI do Judiciário.
A outra informação que o MPF considera ‘‘significativa’’ foi dada pelo informante da CPI, Lauro Bezerra. Ele falou da amizade entre Nicolau e Eduardo Jorge. ‘‘Eles eram amigos íntimos.’’ Segundo Bezerra, o juiz e o ex-secretário-geral ‘‘trocavam fax e conversavam várias vezes ao dia’’. (F.M.)

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