Investigação está ameaçada no PR
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terça-feira, 06 de junho de 2000
Valmir Denardin De Curitiba 
O excesso de comissões atualmente em atividade na Assembléia Legislativa poderá impedir que os deputados comecem a apurar este ano a suposta existência de um cemitério clandestino de presos políticos no Extremo-Oeste do Estado, em um sítio entre os municípios de Medianeira e Matelândia. A existência desse local, onde estariam enterrados os corpos de pelo menos sete guerrilheiros seis brasileiros e um argentino foi apontada em reportagem da Folha publicada no último domingo. Essa informação é confirmada por ex-militantes de esquerda.
Os 54 deputados estaduais se debruçam atualmente sobre 16 comissões permanentes e cinco Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) que apuram narcotráfico, roubo de cargas, combustíveis, medicamentos e supermercados. Isso faz com que a Comissão de Direitos Humanos da Casa, que poderia investigar esse assunto, esteja esvaziada.
Acho que, no ano que vem, poderemos desenvolver uma grande operação de perícia e medicina legal, além de entrevistas com pessoas da região, para tentar chegar a esse local, afirma o deputado Irineu Colombo (PT), que representa a Região de Medianeira. Colombo já recebeu carta da psicóloga Lilian Ruggia, irmã do estudante Enrique Ruggia, um dos sete guerrilheiros desaparecidos em 1974. Na carta, enviada em 97, Lilian pede a ajuda do deputado para localizar o corpo do estudante. Ela move um processo na Justiça argentina cobrando indenização pelo desaparecimento do estudante.
Segundo os ex-militantes de esquerda ouvidos pela Folha, o sítio com o suposto cemitério estaria localizado na comunidade rural de Linha Barreirão, entre os dois municípios. Esse sítio que, de acordo com os depoimentos, era usado para treinamentos de guerrilha pelo Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), teria sido confiscado pelo Exército em 1969. Liderados pelo ex-sargento Onofre Pinto, os guerrilheiros, que estavam na Argentina, teriam sido atraídos ao Paraná em uma cilada e depois torturados e mortos pelo Exército.


