Paulo Pegoraro
De Cascavel
O procurador da República em Cascavel, Celso Antônio Três, obteve na Justiça Federal a quebra do sigilo bancário da Câmara de Vereadores, o que, segundo ele, permitirá avançar definitivamente em investigações que vem fazendo, sobre a retenção de parte dos salários de assessores, por alguns vereadores. A decisão se refere ao período de março a julho do ano passado.
A Justiça considerou que denúncias recebidas pelo promotor, de assessores, concentraram-se no período de março a julho de 98, por isso não há necessidade de exceder este período na investigação da conta da Câmara, no Banco Banestado. ‘‘Acho que não haverá dificuldades para as investigações’’, conformou-se Celso Antônio Três. Segundo as denúncias por ele recebidas, a Câmara emitia dois cheques para cada um dos assessores, que eram obrigados a endossar um e entregar ao vereador a cujo gabinete estavam ligados.
Um vereador, que pediu para não ser identificado, disse à Folha que ‘‘vários’’ dos 21 vereadores (que recebem R$ 3,16 mil mensais) retinham parte do pagamento dos assessores - até cinco para cada gabinete, com salário de R$ 779,00 (líquidos de R$ 690,00). Três foi procurado por alguns assessores que foram demitidos, ao se rebelarem contra a retenção. Segundo ele, o caso é de extorsão e sonegação do Imposto de Renda.
Exatamente através do imposto é que age a Procuradoria da República, pois a sonegação é crime da alçada federal. Três explica que a quebra do sigilo bancário da Câmara permitirá conferir a existência dos cheques emitidos e descontados com o endosso de assessores, o que teria ocorrido pelo menos nos últimos três anos. Para ele, a retenção de dinheiro devido a detentores de cargos de confiança ‘‘é uma chaga generalizada’’ no País. O presidente da Câmara, Misael Pereira de Almeida (sem partido), prefere não se manifestar sobre o caso, por enquanto.

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