O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), assinou ontem o requerimento do presidente nacional do PMDB, senador Jader Barbalho (PA), pedindo a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o sistema financeiro nacional. Mas não quis comentar o mérito da proposta. ‘‘Não vou dizer que a CPI do sistema financeiro é inoportuna, porque vocês vão dizer que eu sou contra. E não vou dizer que é oportuna, porque posso estar dando um ponto de vista que não é o do meu partido. Vou aguardar’’, disse.
Jader havia conseguido mais de 70 assinaturas até as 17 horas e continuava a coleta. O Senado tinha ontem duas CPIs criadas - a do sistema financeiro e outra destinada a investigar irregularidades no Poder Judiciário, proposta por ACM, que conseguiu 54 assinaturas -, mas nenhuma instalada. A instalação depende das indicações dos representantes de cada partido, a cargo dos líderes. A maioria dos senadores não acreditava ontem em recuo de Jader, mas achava que a instalação da CPI dos bancos dependeria de uma conversa entre o presidente do PMDB e o presidente Fernando Henrique Cardoso, prevista para ontem à noite.
Para a maioria dos senadores, as propostas de ACM e de Jader já fazem parte da disputa entre os dois maiores partidos aliados pela eleição à Presidência da República em 2002. O PSDB, sem posição definida sobre as duas CPIs, ficou a reboque do PFL e do PMDB, segundo os próprios tucanos. ‘‘O PSDB não tem se reunido muito ultimamente’’, disse Artur da Távola (PSDB-RJ), em tom irônico. Ele não assinou nenhuma das duas CPIs. ‘‘As CPIs param o movimento do Congresso. Excitam o exibicionismo e dão resultados vagos’’, disse.
Segundo o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), o PFL ainda não tomou posição sobre a CPI do sistema financeiro. Ele se negou a opinar sobre o que há por trás da disputa entre dois partidos aliados - PFL e PMDB - em torno das CPIs. Os líderes governistas são contrários à extensão da CPI dos bancos para a Câmara. O deputado Aloizio Mercadante (PT-SP) apresentou ontem o pedido de criação da CPI na Câmara, mas os governistas prometem trabalhar para impedir a instalação da comissão.

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