O aparecimento do nome do presidente do Tribunal de Contas (TC) do Paraná, o conselheiro Artagão de Mattos Leão, nas investigações sobre suposta fraude na licitação para obras na sede do órgão, em Curitiba, levou parte dos documentos para o Superior Tribunal de Justiça (STJ). O comunicado ao STJ se deve ao foro privilegiado de Artagão, que revelou, durante sessão no TC, ter sido procurado por empresários interessados em mais detalhes sobre a disputa. "Hoje em dia tudo se grava", comentou. Nem o Ministério Público (MP) do Paraná nem o STJ revelam detalhes, pois o procedimento está sob segredo judicial.
A investigação, iniciada pelo MP há três meses, levou cinco pessoas à prisão, entre elas, o coordenador geral do TC, Luiz Bernardo Dias Costa, e o proprietário da Sial Construções Civis, que havia vencido o certame, Edemilso Rossi. Todos já foram soltos.
Na abertura da sessão do TC no último dia 26, ao se referir ao caso como "acontecimentos que infelizmente ocorreram em nossa Casa", o presidente defendeu a concorrência e disse que o procedimento transcorreu com "lisura". "Eu até tinha, tenho, uma empresa que é minha conhecida e o dono dela concorreu, mas não ganhou. (Se) Tivesse que favorecer alguém, até poderia ser (essa empresa), mas não ganhou, porque não seguiu o edital, que é a lei máxima de uma licitação", disse Artagão, dirigindo-se aos demais conselheiros, no que chamou de "primeira satisfação" sobre o caso.
Mais a frente, ele disse que estava aproveitando a sessão para dar a sua versão, porque "até agora todo mundo só tinha ouvido o outro lado". A reportagem procurou o TC, mas a assessoria de imprensa afirmou que o presidente não se manifestaria sobre o "comunicado enviado ao STJ" e que, até agora, Artagão não foi notificado a respeito da investigação.
A Sial venceu a disputa pelo preço de R$ 36,4 milhões, mas ainda não havia iniciado as obras. Logo após as prisões, o TC suspendeu o contrato com a empresa.

mockup