Investigação do Conselho deve terminar em 30 dias
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de abril de 2001
Agência Folha De Brasília 
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado deverá concluir em cerca de 30 dias relatório dizendo se os senadores Antonio Carlos Magalhães, ex-presidente da Casa, e José Roberto Arruda, líder do governo, feriram o decoro parlamentar no episódio da violação do sistema de votação.
A acusação é considerada tão grave pelos senadores que o conselho poderá propor ao plenário até a cassação dos seus mandatos. A situação de Arruda é considerada mais delicada. A ex-diretora do Prodasen Regina Célia Peres Borges disse ter recebido pedido pessoal do líder do governo para que o sistema fosse violado, para permitir a revelação dos votos dados a favor ou contra a cassação do então senador Luiz Estevão. Ela disse que Arruda atribuiu ao então presidente da Casa o pedido da violação. Segundo ela, o próprio ACM lhe telefonou depois agradecendo a operação.
O corregedor do Senado, Romeu Tuma, pretende pedir a quebra do sigilo telefônico da ex-diretora do Prodasen para confirmar se ela recebeu ou não telefonema de ACM. Ex-diretor-geral da Polícia Federal, Tuma também quer realizar a reconstituição de todos os passos da operação, do suposto contato de Regina com Arruda até a conclusão da missão por outros funcionários do Prodasen.
O corregedor quer a materialização da prova do envolvimento de ACM e Arruda. A confissão é a prostituta das provas. Qualquer funcionário pode mudar seu depoimento a qualquer momento e dizer que confessou sob pressão, disse Tuma. Ele defende, ainda, que haja acareação entre Arruda e Regina e, se for necessário, entre outros envolvidos na operação.
O prazo de 30 dias para o relatório preliminar foi previsto pelo presidente do Conselho de Ética, Ramez Tebet, e pelo relator do caso, Saturnino Braga. Nesse parecer já pode ser proposta a punição de ACM e de Arruda. A partir daí, será aberto prazo para a defesa dos dois. Depois disso é feito o relatório final, que vai à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e, depois, à votação do plenário.


