Investigação de suposta fantasma leva Joel Garcia à prisão
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sábado, 30 de janeiro de 2010
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
O ex-líder do prefeito Barbosa Neto (PDT) na Câmara de Vereadores de Londrina, Joel Garcia, foi preso no final da tarde de ontem por policiais do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na investigação em que é acusado de ter contratado assessora ''fantasma'', em seu gabinete, em maio e junho do ano passado. A ordem de prisão concedida na última terça pela juíza da 2 Vara Criminal, Adriana Fernandes e Silva, foi cumprida pela equipe comandada pelo delegado do Gaeco, Alan Flore, no apartamento do vereador na Rua Souza Naves. Desde anteontem os policiais estavam em busca de Joel, o qual acabou sendo preso depois que a juíza autorizou a entrada dos policiais, na residência, por intermédio dos serviços de um chaveiro. O parlamentar estava trancado no quarto, mas abriu antes que a segunda porta fosse aberta à sua revelia. Da sede do Gaeco, ele foi encaminhado, sem algemas, ao Centro de Detenção e Ressocialização (CDR). É o segundo vereador da atual legislatura - a exemplo do afastado Rodrigo Gouvêa (PRP) - preso em ação de peculato por suposta contratação irregular.
Essa é a terceira ação criminal ingressada contra o vereador pelo Gaeco, que o acusa de ter contratado a assessora Angélica Alves sem que, contudo, esta desse expediente na Casa. Além de Joel, ela e o companheiro, o também assessor Anílton Honorato, lotado no mesmo gabinete, também foram denunciados - ela, pelo recebimento dos salários supostamente sem trabalhar; Honorato, por suposta intermediação e indicação da contratação dela. Em dezembro, o Gaeco já havia ingressado outras duas ações criminais contra o pedetista, mas por crime de concussão - pelo suposto uso do cargo para nomeação de ex-cabo eleitoral no Procon, e por pedido de beneficiamento da empresa de familiares na licitação da merenda escolar. As investigações foram balisadas, em boa parte, por depoimentos contra o vereador prestados na Promotoria pelo prefeito, secretários e assessores ligados à base aliada de Barbosa.
A exemplo das duas ações criminais de concussão, a que resultou na prisão preventiva de ontem, segundo a Promotoria, também deverá render uma terceira ação civil pública de improbidade administrativa. Na do Procon, Joel teve o asfastamento imposto pela Justiça.
Segundo a promotora Leila Voltarelli, a prisão foi requerida a fim de que a instrução do processo, na coleta de provas - que, em inquérito policial à parte, conta com quatro assessores de Joel indiciados por falso testemunho - não fosse atrapalhada pelo vereador. ''Ele estava influindo no sentido de orientar testemunhas no que elas deveriam dizer em depoimentos. Pelas nossas investigações, ele teria orientado funcionários'', explicou.
Outro lado
Na saída para o CDR, ainda no Gaeco, Joel falou com a imprensa durante pouco mais de cinco minutos e atribuiu à oposição feita por ele a Barbosa o motivo para as denúncias de que é alvo. O pedetista citou críticas que fizera a projetos e iniciativas polêmicas do Executivo, tais como o projeto que revisava a planta de valores, e a tarifa do transporte reajustada por Barbosa, em cinco meses, em duas oportunidades.
Sobre a prisão, definiu: ''Isso que dá brigar com o prefeito e defender uma passagem justa, defender licitações honestas na administração. Você briga com o prefeito, mas não tem o poder de fogo que ele tem de convencimento, não tem rádio, não tem televisão'', disse. ''Vou continuar brigando, sim, por passagem mais baixa, por um IPTU decente - fui eu que dei o parecer contrário a esse IPTU odioso de 600% e isso que a gente recebe.''
Indagado sobre a maneira com que Barbosa poderia ter influenciado no pedido de prisão, referente à suposta assessora fantasma, o vereador citou supostas ligações de campanha entre a denunciante, Regina Amâncio, e Barbosa, ainda na campanha passada. ''Ela foi funcionária da campanha dele'', afirmou, lembrando de assessores que, assim como Barbosa, depuseram contra ele no MP nas demais denúncias. ''Um ganhava pouco mais de R$ 1 mil e foi promovido depois, agora ganha mais de R$ 7 mil. O outro tem a esposa no Conselho de Administração da Sercomtel, ganhando R$ 4.700 por mês. Vou me defender e com certeza a Justiça vai prevalecer.'' A FOLHA tentou contato com o prefeito, mas ele não foi localizado pela reportagem e nem pelo chefe do Núcleo de Comunicação, José Otávio.


