Investigação de parlamentares depende do STF
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quinta-feira, 04 de maio de 2006
João Domingos<br> Agência Estado 
Brasília - O diretor-regional executivo da Polícia Federal em Mato Grosso, Tardelli Boaventura, disse ontem que encaminhou aos presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie, da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, os nomes de todos os parlamentares cujos assessores foram investigados pela Operação Sanguessuga.
O cuidado do delegado da PF tem uma explicação. Sem autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), ele não pode investigar parlamentares. Mas, de acordo com informações de dentro da PF, o fato de assessores de deputados e um senador pertencerem à quadrilha que fraudava a licitação e compra de ambulâncias deixou suspeitas no ar. Além do mais, a participação dos ex-deputados Carlos Rodrigues (PL-RJ) e Ronivon Santiago (PP-AC) na assinatura das emendas ao Orçamento para garantir a fraude forneceram pistas de que pode mesmo haver bom número de parlamentares envolvidos
no esquema.
Encaminhei os nomes dos parlamentares a essas autoridades para que elas possam tomar as providências que acharem necessárias, disse o delegado, pelo sistema viva-voz instalado na sede da Polícia Federal, em Brasília. Não posso afirmar que algum deles participou da fraude ou está envolvido com o esquema. Não tenho competência para fazer essa investigação. Por isso, enviei tudo o que tenho para as mesas diretoras do Senado e da Câmara, para o Supremo e para a Procuradoria da República, disse o delegado.
Ele informou ainda que há muitos diálogos obtidos com o grampo autorizado pela Justiça que mostram assessores citando o nome de seus chefes como sabedores da fraude. O fato de um assessor citar o parlamentar não quer dizer nada. Por isso, é preciso investigar mais, disse o delegado.


