O suposto ''mensalinho'' que seria cobrado da empresa Centronic pelo ex-secretário de Gestão Pública e hoje vereador Jacks Dias (PT) poderá ser investigado não mais como eventual crime de concussão - extorsão praticada por agente público -, e, sim, como negociata ou corrupção ativa e passiva. A constatação foi feita ontem pelo delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore, após o interrogatório do proprietário da empresa, Nílso Rodrigues, e do consultor Gilson Domingues. Ambos negaram qualquer exigência indevida que teria sido cobrada pelo então secretário - versão apresentada há pouco mais de um mês, ao Gaeco, por um ex-funcionário da empresa, que, por R$ 500 mil mensais, presta serviços de vigilância patrimonial à Prefeitura.
De acordo com a denúncia, Jacks teria recebido cerca de R$ 80 mil como forma de garantir a manutenção do contrato firmado em 4 de agosto de 2006. Além do depoimento do ex-funcionário, o Gaeco ainda efetuou, no começo de maio, o cumprimento de diversos mandados judiciais de busca e apreensão na sede da Centronic, na Zona Leste de Londrina, e também na casa de um diretor da empresa; foram apreendidos documentos fiscais, contábeis e planilhas relativas a movimentações financeiras.
Para o advogado da Centronic, o criminalista Elias Mattar Assad, os depoimentos dos clientes ''foram esclarecedores''. ''Não havia acerto porque o serviço pago pelo Município foi efetivamente realizado e contratado por meio de uma licitação legalmente feita'', disse. O proprietário da empresa também negou a oferta ou a cobrança de algum tipo de pagamento a Jacks. ''Nunca paguei e ele nunca me pediu; o conheço vagamente. Se teve (cobrança indevida) em outras empresas, a nossa está fora'', afirmou, para completar, aos repórteres presentes no Gaeco: ''Conheço ele (Jacks) tanto quanto vocês''. Sobre o motivo para denúncia do ex-funcionário, o empresário classificou: ''Desconheço as razões, mas deve ser alguma mágoa''.
Para o delegado do Gaeco, no entanto, as negativas de ontem têm outro sentido: como elas iriam em versão bastante oposta aos indícios de crime que o Gaeco afirma haver a partir do depoimento do ex-funcionário e do material apreendido, não está descartado o indiciamento também dos interrogados.
''Passamos a considerar agora que, se houve efetivamente tal pagamento, isso foi fruto não mais de uma suposta exigência, mas de uma negociata estabelecida; aí teríamos um corruptor e um corrupto, se confirmarmos. Temos indícios que demonstram a existência de crime, isso daí não se reverteu e nem se modificou pelo que foi declarado pelo proprietário da empresa'', atestou.
Flore declarou que, informalmente, Rodrigues disse ter pago jantares em restaurantes a ''políticos do partido'', os quais seriam ''promovidos por políticos'' - de modo que uma das contas teria custado em torno de R$ 1 mil. ''No momento do interrogatório, por intervenção de seu advogado, no que se referiu especificamnte a essa pergunta, o empresário fez uso do seu direito de permanecer em silêncio e não responder a questão, que era muito pertinente à investigação'', explicou Flore.
Conforme o delegado, a finalização do inquérito depende de depoimentos de outros funcionários da Centronic e da análise no material que é feita pela auditoria do Ministéio Público (MP). Jacks, pela assessoria da Câmara, informou que não se manifestaria sobre o assunto.

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