André Vargas também está sendo investigado por suspeita de lavagem de dinheiro na compra da sua casa em Londrina. O imóvel foi sequestrado por ordem do juiz Sérgio Moro. O londrinense teria declarado a compra do imóvel por R$ 500 mil, segundo consta da escritura, mas o vendedor do imóvel, em sua declaração de rendimentos, calculou o negócio por R$ 980 mil, "preço integralmente recebido em 2011". Segundo os investigadores, o imóvel está no nome da esposa de Vargas, Edilaira Soares Gomes. "Tratando-se, porém, de agente público, no caso deputado federal na época dos fatos, não se trata apenas de indício de crime de sonegação fiscal, mas sim de lavagem de dinheiro, tendo por antecedentes crimes contra a Administração Pública", reforçou o juiz.
O ex-parlamentar londrinense ainda é investigado por ter recebido o repasse de R$ 2.399.511,60, em espécie, do doleiro Alberto Yossef. Conforme as investigações, este valor teria sido encoberto pela emissão de notas fiscais falsas em favor da empresa IT7 Sistemas Ltda., por serviços que não foram prestados. As notas foram emitidas pelas empresas da ex-contadora de Youssef, Meire Poza. Conforme ela, estas notas visariam acobertar a transferência de recursos para Leon e André Vargas. "Referida empresa (IT7) mantém contratos com diversas entidades públicas, como a Caixa Econômica Federal, o Serviço Federal de Processamento de Dados, Celepar, CCEE, entre outras. Somente no ano de 2013, por exemplo, a IT7 recebeu, da Caixa Econômica Federal, cerca de R$ 50 milhões", apontou Moro.
Por fim, Vargas também é investigado por ter intermediado a aprovação pelo Ministério da Saúde da empresa Labogen S/A Química Fina e Biotecnologia de uma Parceria para Desenvolvimento Produtivo (PDP). A Labogen é uma empresa de Leonardo Meirelles, réu na Lava Jato, que a utilizava para a celebração de contratos de câmbio para importações fictícias a fim de remeter fraudulentamente dinheiro ao exterior. Por esse expediente, Leonardo prestou serviços de remessa inclusive a Youssef. "Foram colhidas provas que indicam, em cognição sumária que, André Vargas, então deputado federal, teve papel fundamental para que a Labogen lograsse obter a aprovação do Ministério da Saúde para a parceria em questão", afirmou o juiz.
A relação entre os londrinenses Vargas e Youssef veio à tona desde o começo das investigações, em 2014, quando o então deputado utilizou um jatinho alugado pelo doleiro para passar férias no Nordeste. Por isso, Vargas teve o mandato cassado e foi expulso do PT.
O advogado de Vargas, João dos Santos Gomes Filho, visitou o cliente no final da tarde de ontem, e informou que vai se inteirar das acusações antes de impetrar com um habeas corpus na Justiça. "Conversei com ele hoje cedo quando aconteceu tudo em Londrina. Ele me ligou em casa e fui dar a primeira assistência. Mas agora vou analisar tecnicamente os fundamentos que embasaram a decisão do juiz. O que motivou, um ano depois da deflagração da operação, este decreto ser ordenado." (R.C.J.)

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