O relator da subcomissão do Judiciário, senador José Jorge (PFL-PE), previu ontem que o ‘‘avanço’’ das investigações para identificar os responsáveis pelo desvio de R$ 169 milhões repassados às obras do fórum trabalhista de São Paulo vai depender do Banco Central. É isso o que ele e demais membros da subcomissão vão dizer amanhã ao presidente da instituição, Armínio Fraga no encontro em que irão pedir ‘‘maior agilidade’’ na liberação das informações sigilosas solicitadas pela CPI do Judiciário e pelo Ministério Público.
Para José Jorge, os dados resultantes da quebra do sigilo bancário de pessoas e empresas que participaram das obras superfaturadas ‘‘vão mostrar quem é quem nesse escândalo’’.
O relator lamentou não incluir no grupo que conversará com Armínio Fraga as procuradoras do Ministério Público de São Paulo. Segundo o senador, elas teriam condições de dizer pessoalmente ao presidente do BC os procedimentos que de fato ajudarão nas investigações, como o rastreamento de todas as contas que receberam depósitos feitos por empresas ou pessoas envolvidas na fraude. José Jorge acredita que também os senadores poderão discutir ‘‘formas técnicas’’ que facilitem a disponibilização dos dados sigilososos. Na sua opinião, servidores do banco estão igualmente ansiosos em atender logo aos pedidos ‘‘para não ficarem com a batata quente na mão’’.
A posição do relator mostra a descrença quanto à disposição da Mesa Diretora do Senado em atender aos pedidos de quebra de sigilo feitos pela subcomissão. Mas mesmo que isso venha a ocorrer, deve demorar bastante já que os pedidos serão examinados somente em meados de setembro.

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