Investigação de atentado em Guarapuava é encerrada
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2002
Cláudia Carneiro 
Guarapuava - O delegado especial Osnildo Carneiro Lemes, que apura o atentado contra o prefeito de Guarapuava, Vitor Hugo Burko (PSDB), ocorrido no último dia 31, garante que o disparo de sete tiros contra a casa de Burko não teve qualquer conotação política. Segundo Lemes, as investigações indicam que os tiros foram usados com artifício para despistar a polícia, já que os autores são assaltantes profissionais, responsáveis por roubos em Matinhos, Curitiba, São José dos Pinhais, Guarapuava e Cascavel.
A declaração vai contra a teoria de Burko, de que o atentado seria a mando de adversários políticos. O prefeito chegou a relacionar o deputado estadual Fernando Ribas Carli (PPB) ao incidente. Carli perdeu as eleições municipais para Burko, que recentemente entrou com processo contra o deputado por panfletos difamatórios lançados na época da campanha. Carli prometeu processar o prefeito pelas acusações.
De acordo com Osnildo Lemes, na última terça-feira foi ouvido Antônio Pereira dos Santos Filho, uma testemunha que teria visto a quadrilha de assaltantes parados nos dois carros, uma caminhonete S10, de São José dos Pinhais, e um Vectra, roubado em Guarapuava, nas proximidades da residência do prefeito, na noite do atentado.
Durante o depoimento, a testemunha reconheceu Jorge Luís Alves Ferreira, de 18 anos, morto durante um assalto a um posto de combustível em São José dos Pinhais, dia 10. Ferreira e outro assaltante da quadrilha, Alexandre Peres, que está preso, foram também reconhecidos como integrantes do bando.
Os tiros contra a casa do prefeito teriam sido disparados para despistar a polícia e dar chance aos ladrões de transportar um caixa eletrônico furtado. O prefeito de Guarapuava foi procurado pela reportagem para comentar o assunto, mas não foi encontrado.
O delegado descobriu ainda que a quadrilha teria ferido o advogado Cláudio Dalledone Júnior, dia 2, em Matinhos, durante uma tentativa de assalto. Dalledone é advogado de Francisco Paladino Júnior, tesoureiro do PFL na campanha de 2000. Paladino foi a primeira testemunha a confirmar ao Ministério Público que o comitê do PFL teria omitido R$ 29,8 milhões de sua prestação de contas à Justiça Eleitoral.


