Invasão do MLST à Câmara custou R$ 83 mil
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quinta-feira, 08 de junho de 2006
Denise MadueÀo e Eugênia Lopes<br> Agência Estado 
Brasília - O Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) teria gasto R$ 82.790 mil na organização da invasão e depredação da Câmara. A informação consta em uma agenda apreendida por policiais em poder de Bruno Maranhão, um dos principais líderes do Movimento. Em dez páginas da agenda, há uma contabilidade detalhada de despesas e, entre outras anotações, uma referência ao PT.
Em uma anotação que teria sido feita por Bruno Maranhão, o dirigente do MLST orienta uma mulher, identificada apenas por Raquel, para ''fechar os números do PT para comigo e orçamento de passagens''. A assessoria de imprensa do PT afirmou que o partido não fez nenhuma doação para o MLST nem que houve pedido para financiar qualquer ação do Movimento.
Segundo o PT, Bruno Maranhão recebia R$ 6,8 mil mensais de salário como dirigente partidário. A assessoria informou ainda que a administração do partido está verificando se houve pagamento de passagens para o dirigente do Movimento, que foi afastado quarta-feira da Executiva do PT. De acordo com a contabilidade anotada na agenda, os cerca R$ 83 mil seriam gastos com as caravanas de sem terra que vieram de vários estados e com alimentação, água, hospedagem, extras e aluguel de carro.
Em uma anotação, intitulada de ''gastos extra 2'', são especificadas as despesas de R$ 680 para ônibus, em São Paulo; R$ 400 com faixas e R$ 3,2 mil para deslocamento em Minas Gerais. Além de São Paulo e Minas, os estados do Paraná, Goiás, Maranhão, Tocantins, Bahia, Rio Grande do Norte e Alagoas são listados na agenda em uma página na qual está registrada a data de 04/06/06 e ''BSB/MLST''. Nesta mesma página, há também o número de celular de nove dirigentes do MLST e um valor ''total R$ 71.050,00''.
Em duas páginas da agenda são listadas tarefas a serem cumpridas por uma mulher chamada Raquel, que seria secretária de Bruno Maranhão. São anotações difíceis de serem decifradas. Em um item é escrito ''a reeleição e uma nova governabilidade''. Em outro trecho refere-se ''a política de transição no PT''. Trata também sobre uma ''convocatória'' para um encontro de secretários nacionais de movimentos populares. É mencionada ainda a organização de um calendário de ''todas as atividades políticas no período de 5 de abril até 18 de maio de 2006''.
Em uma das páginas há lembretes para ''escrever as faixas'' e ''73 mil (valor de ação)''. Em outra página, são listados nomes de pessoas e de serviços com os respectivos valores ao lado. Há também anotações de gastos com telefone e fotocópias. Em outro trecho da agenda, há o seguinte registro: ''O medo é a gente voltar sem acertar o projeto. Em outras palavras, o nosso dinheiro''. Existem ainda tópicos escritos com o ''avanços da reforma agrária'', ''problemas estaduais'', ''formação das comissões'', obtenção, vistoria, parcelamento, agroindústria, projeto estaduais, crime organizado''.


