Invasão da AL pára votação da Copel
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de agosto de 2001
Luciana Pombo<BR>De Curitiba 
Um grupo de cerca de mil estudantes invadiu ontem o plenário da Assembléia Legislativa, em Curitiba, suspendendo a votação do projeto de iniciativa popular que cassa o direito do governo do Estado de privatizar a Companhia Paranaense de Energia (Copel). Nova votação será realizada hoje.
Ao meio-dia, os estudantes derrubaram as grades na entrada do prédio e tomaram galerias e plenário. Ocuparam o prédio em poucos minutos e começaram a jogar papéis e panfletos nos deputados, que interromperam a sessão. Os manifestantes cantaram pelo menos duas vezes o Hino Nacional e gritavam em coro: ''Privatização é coisa de ladrão!''
O presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PTB), retirou-se de plenário, mas pediu reforço policial. A tropa de choque da Polícia Militar ficou de plantão do lado de fora, pronta para invadir o plenário e retirar os estudantes. Uma comissão de deputados da oposição foi criada para negociar com a presidência. As negociações foram tensas mas, no final do dia, o movimento dos estudantes se dissipou.
Brandão disse à comissão que não permitirá novos protestos. Ele foi surpreendido pela manifestação, já que não dera importância aos alertas feitos pela oposição. Os estudantes saíram da Praça Santos Andrade, no Centro da Capital, rumo à Assembléia, a cerca de um quilômetro dali, no bairro Centro Cívico. O protesto não se restringiu à venda da Copel e também abarcou a defesa do ensino gratuito.
Neivo Beraldin (PSDB) e Algaci Túlio (PTB) chegaram a solicitar a suspensão antecipada da sessão, mas não foram atendidos. ''Não tem condições de prosseguir a votação. Temos que suspender logo a sessão'', gritava Algaci. Ângelo Vanhoni (PT), integrante da comissão de negociação, tentou acalmar os ânimos dos estudantes, mas não conseguiu. Eles subiram nas mesas de trabalho dos deputados com bandeiras de partidos de esquerda e de entidades estudantis.
Dois estudantes chegaram a entrar no plenário de bicicleta. Um deles ainda tentou justificar, dizendo que ''não dá para pagar R$ 1,25 por uma passagem de ônibus'', numa referência ao preço do passe do transporte coletivo em Curitiba.


