Buenos Aires- Um grupo de manifestantes invadiu, na madrugada de ontem, o Congresso argentino e colocou fogo nas cortinas, gerando um incêndio rapidamente controlado. Eles destruíram os móveis, jogando-os pelas escadas da frente do Parlamento. Os manifestantes foram dispersados com gás lacrimogêneo e jatos de água pelo pessoal da guarda de infantaria, enquanto os bombeiros apagavam o fogo, mas deixaram o prédio seriamente danificado.
A região do Congresso apresentava um aspecto desolado, com ônibus destruídos, fogueiras e pedras espalhadas, enquanto grupos de jovens travavam confrontos isolados com a polícia.
Temor
O senador oficialista Eduardo Duhalde advertiu ontem acerca do risco de ''guerra civil'' na Argentina, após o novo levantamento popular que, durante a madrugada, provocou outra onda de violência em Buenos Aires e forçou a renúncia de um funcionário do governo do presidente interino Adolfo Rodríguez Saá.
''Eu tenho sustentado há muito tempo que o último estágio depois da recessão e a depressão é a anarquia e o caos, e eu temo atos muito violentos, uma espécie de guerra civil na Argentina'', acrescentou o senador peronista (Justicialismo, governo) em declarações radicais, citadas pela agência local DyN.
Governo pára
O governo provisório argentino suspendeu ontem todas as atividades previstas pelo presidente Adolfo Rodríguez Saá, devido ao violento protesto social que começou na sexta-feira à noite, que deixou 12 policiais feridos e 33 manifestantes presos, informou à AFP um porta-voz oficial.
Rodríguez Saá permanecia ontem de manhã na residência oficial de Olivos, na periferia norte de Buenos Aires, onde cumpriria outra agenda de reuniões.
O presidente provisório, eleito há uma semana pela Assembléia Legislativa, após a renúncia de Fernando De la Rúa em meio a uma rebelião popular e saques com balanço de 30 mortos, suspendeu também uma conferência com responsáveis estrangeiros.
Protestos
Milhares de argentinos saíram às ruas de novo na madrugada de ontem com suas panelas e forçaram a renúncia de um alto funcionário, enfraquecendo a posição do novo presidente Adolfo Rodríguez Saá, que há cinco dias tenta conter a explosão social.
Este protesto aconteceu depois da revolta social dos dias 19 e 20 deste mês, durante a qual aconteceram vários saques ao comércio e um ''panelaço'' que precipitou a queda do ministro da Economia Domingo Cavallo e, poucas horas depois, a do presidente Fernando De la Rúa.
Ontem à noite, a cólera dos manifestantes se concentrou principalmente no assessor do novo gabinete, Carlos Grosso, que acumulou vários processos quando foi prefeito de Buenos Aires no governo do peronista Carlos Menem (1989-99).

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