Intrigas cansam secretário-geral
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de novembro de 1998
Tânia Monteiro Agência Estado 
Acusado nos bastidores pelo ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, de ser o responsável pelo vazamento das fitas com conversas sobre a privatização do Sistema Telebrás, o secretário-geral da Presidência, Eduardo Jorge Caldas, se diz cansado de tantas intrigas e comenta que esses fatos diminuem ainda mais a sua vontade de voltar ao governo. Eduardo Jorge, que está licenciado do cargo há seis meses, diz a interlocutores mais próximos que só permanecerá no governo se o presidente Fernando Henrique agir com ele como agiu com Mendonça de Barros, ou seja, fizer um apelo. Não poderei dizer não a ele e atenderei o que o presidente quiser, disse.
O ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho, também mostra-se indignado com as insinuações de que ele também poderia ser o outro responsável pelo vazamento das conversas do BNDES. Ontem, o porta-voz do presidente, Sérgio Amaral, reagiu com irritação às suposições de que importantes assessores do Planalto pudessem ter divulgado o teor das conversas. Esta hipótese é uma especulação que não encontra qualquer fundamento dos fatos, declarou Amaral, defendendo Eduardo Jorge. É uma hipótese inadmissível.
Segundo o porta-voz, é preciso que se pare com especulações e acusações que não estão baseadas em nenhum indício, nenhum fundamento. Amaral acentuou que a imprensa precisa fazer acusações que sejam baseadas em fatos e não em suposições. Ele reiterou que FHC tem grande empenho em que os responsáveis pelo grampo sejam identificados e sofram as sanções legais.
FHC e Jorge conversaram no último sábado, quando já circulavam por Brasília as revistas com novos trechos das fitas e que atribuiam ao secretário-geral licenciado a culpa pela divulgação do conteúdo do grampo. Jorge rechaçou, e teria dito a um amigo: As pessoas que importam e que me conhecem sabem que eu não faria isso. O que eu ganharia com isso, que objetivos eu teria para fazer isso?.
Jorge não sabe quando volta ao governo ou mesmo se volta. Segundo este amigo, ele diz estar tentando viabilizar alguns projetos antes de tomar tal decisão. Faz questão de justificar sempre que essa decisão de se afastar do Planalto é antiga e que já havia sido comunicada ao presidente há mais de dois anos. Não tem nada a ver com esses problemas, explicou ele, segundo o interlocutor, acrescentando não saber quem poderá ser seu sucessor, caso deixe o governo. É uma escolha do presidente.
Apesar de possuir muitos desafetos, Eduardo Jorge tem recebido solidariedade de vários integrantes do governo, que têm saído em sua defesa. Ele foi responsável pela avaliação de vários pretendentes a cargos no governo. Um dos auxiliares mais próximos do presidente informou que o presidente não acredita nas acusações de que Eduardo Jorge poderia ter vazado as fitas com o grampo no BNDES.
Para defender a sua tese, o amigo alega que o secretário-geral já sofreu muito no primeiro ano de governo, quando foi descoberto o grampo no telefone do ex-chefe do cerimonial do Planalto, Júlio César Gomes, de que ele estaria por trás, com o ex-chefe de gabinete de Fernando Henrique, Francisco Graziano. Ele não colocaria seu pescoço a prêmio novamente, disse esse interlocutor.


