Intriga e chantagem estão por trás, diz Luiz Carlos
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terça-feira, 24 de novembro de 1998
Renata de Freitas Agência Estado 
Luiz Carlos Mendonça de Barros considera que quatro fatores políticos contribuíram para a sua demissão: a chantagem da iniciativa privada, o interesse de curto prazo dos partidos, alguns veículos de imprensa e a intriga palaciana. Segundo ele, o caso do grampo no BNDES se assemelha a um crime de espionagem industrial que poderia levar até a um rombo no caixa da Tele Norte-Leste. Se tivéssemos sido omissos, nada disso teria acontecido, afirmou à Agência Estado, referindo-se à sua demissão e à do presidente do BNDES, André Lara Resende.
Considerando a possibilidade de ter sido minado porque conquistou poder desde a privatização da Telebrás chegando a ser o mais cotado para o novo Ministério da Produção, Mendonça admitiu que isso não seria do interesse de partidos como PMDB e o PFL. Ele disse que obteve algumas vitórias e uma posição mais forte no PSDB, o que não agradou a todos.
O governo tem uma incompatibilidade entre a sua agenda econômica e a sua base política, avaliou, ecoando declarações feitas anteriormente no dia pelo ministro da Saúde, José Serra. Mendonça disse que houve interferência de membros do governo na sua demissão, sem, no entanto, citar nomes. Não é só isso de intriga palaciana, declarou. Realmente, está-se lutando contra o pessoal da corrupção, da política, da imprensa e pessoas enfiando a faca pelas costas, disse. Ele afirmou que mesmo deixando o governo defendeu a criação do Ministério da Produção em conversa no domingo à noite com FHC.
A nomeação da nova presidência do BNDES também poderá acarretar um ligeiro atraso no programa de privatização, na avaliação dele. Sempre atrasa um pouco até recompor a equipe, afirmou. Segundo Mendonça, todos os diretores do BNDES estão em estado de choque com os acontecimentos dos últimos dias. Ele alertou que os diretores do banco talvez não tenham mais a coragem de ser tão agressivos nas privatizações no sentido de conseguir ágios mais altos.
Segundo Mendonça de Barros, o governo vai levar adiante a investigação sobre o grampo no BNDES, que resultou no seu desligamento. O presidente vai levar à frente a investigação, disse. Esse é um problema de Estado, declarou. Ele insistiu que o governo tem suspeitas mas não sabe com certeza de quem é a autoria do grampo. Quem tem o grampo queria criar problemas e desestabilizar algumas áreas, afirmou o ministro sem, no entanto, nomear outros segmentos do governo que pudessem ser afetados.


