A Assembléia Legislativa do Paraná deverá votar somente em agosto após o recesso parlamentar , o pedido de intervenção no município de Nova Aurora (61 km ao norte de Cascavel). Conforme a assessoria do primeiro secretário da Mesa Diretiva, deputado Nereu Moura (PMDB), o pedido foi protocolado pela Casa Civil à Assembléia no dia 23, mas o pedido não foi colocado na pauta de discussões, encerrada dia 25.
A única possibilidade da intervenção ser votada durante o recesso, seria a convocação de uma sessão extraordinária pelo presidente interino da Assembléia, Natálio Stika (PT). Através de sua assessoria, o deputado informou que ainda não recebeu o pedido. Conforme a assessoria do chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, com o encerramento das sessões extraordinárias sem a apreciação pelo plenário da Assembléia, a mensagem mesmo após ter sido protocolada teria voltado ontem ao Executivo e somente deverá ser reencaminhada aos deputados no retorno do recesso.
A intervenção teria sido solicitada com base em um relatório do Tribunal de Contas do Paraná (TC), encaminhado ao governador Roberto Requião (PMDB) no dia 6 de maio, que apontou irregularidades nas contas da prefeitura em 1999 e 2000 durante a primeira administração do prefeito Delmo Passoni (PP). Conforme o relatório, foram desviados R$ 5,3 milhões dos cofres públicos municipais.
Além da denúncia do TC, Passoni também enfrenta um processo no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ). O prefeito e outras quatro pessoas são denunciados pelo desvio de R$ 126,4 mil.
Para o advogado Marcos Amaral, membro da Organização Não-governamental (ONG) Pró Mudança Já, criada em agosto de 2002, para combater a corrupção na administração pública municipal, o governo deveria pedir a convocação de sessões extraordinárias. ''Fizemos protestos na Assembléia, mas o presidente não quis colocar em pauta. Como é um pedido de intervenção, poderia ser chamadas as (sessões) extraordinárias. Estamos aflitos com isso. Pelo desvio de verbas, pelas dificuldades na arrecadação, pelos maquinários parados. Somente os serviços básicos não pararam'', afirmou Amaral.
Um dos nomes cotados para ser o interventor em Nova Aurora, é o do funcionário aposentado do TC, Mário Gabriel Choinsky, hoje na inspetoria do gabinete do desembargador Nestor Batista. O nome de Choinsky teria sido sugerido pelo TC e acatado pelo governador.
O prefeito foi procurado diversas vezes em sua residência, mas não foi localizado para comentar sobre o pedido de intervenção no município.

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