A Polícia Federal (PF) de Maringá pediu ajuda ontem à Interpol (polícia internacional) para prender o ex-secretário da Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi. Ele teve a prisão preventiva decretada anteontem pela Justiça Federal e estaria na Itália, por possuir cidadania italiana. Paolicchi é acusado de desviar R$ 2,6 milhões da Prefeitura de Maringá, onde atuou até julho deste ano como secretário.
A assessoria da PF informou ontem que é de praxe solicitar auxílio da polícia internacional nestes casos. ‘‘Saiu o mandado de prisão, ele está desaparecido e há suspeitas de que ele esteja no exterior’’, argumentou a Polícia Federal, por meio de sua assessoria.
A Justiça Federal também pediu à PF e ao Departamento de Aviação Civil (DAC) a localização da aeronave ‘‘Gates Lear Jet Corp’’ em nome do ex-secretário, cujo prefixo é PT-LDM. O jato, avaliado em mais de R$ 4 milhões, não pode levantar vôo de nenhum aeroporto do Brasil sem autorização judicial.
O advogado Moisés Zanardi, um dos defensores de Paolicchi, disse ontem que até o final da semana vai pedir a revogação da prisão de seu cliente. ‘‘Precisamos fazer um pedido muito bem embasado e se não for acatado vamos para as esferar superiores’’, adiantou.
O advogado revelou ainda que Paolicchi estava pronto para se apresentar no próximo dia 30, ‘‘data definida pela Justiça’’. Mas, com a prisão preventiva, Zanardi diz que a situação se altera. ‘‘Minha sugestão é que ele se apresente, mas a decisão final é dele’’, avisou.
Zanardi disse não saber onde Paolicchi está, apenas que o ex-secretário não saiu do País. Ele foi contratado por Paolicchi no sábado. O outro advogado de Paolicchi é de Umuarama, Wagner Pacheco.
A prisão preventiva de Paolicchi foi decretada anteontem a pedido da Procuradoria da República de Maringá, que propôs ação criminal contra o ex-secretário por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e peculato. Outra ação contra ele – civil pública por improbidade administrativa – foi proposta pelo Ministério Público Estadual, que pede a devolução dos R$ 2,6 milhões desviados dos cofres da prefeitura.
O promotor José Aparecido da Cruz constatou que o patrimônio de Paolicchi, avaliado em R$ 15 milhões, não é compatível com seus rendimentos. Ele recebia R$ 4 mil/brutos por mês como secretário da Fazenda, apesar de ter dez fazendas no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, apartamentos em Maringá e Balneário Camboriú (SC), carros de luxo, chácara e uma empresa de água em Iguaraçu (34 km ao norte de Maringá).
Além das investigações contra o ex-secretário realizadas pelo Ministério Público estadual e federal, polícias Civil e Federal, além do Tribunal de Contas, que entrou ontem no caso, a Câmara de Vereadores de Maringá também deve apurar os desvios. A vereadora Bia Correa (PT) pretende pedir hoje a formação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI).