Internet é um meio, não pode ser um fim
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sábado, 25 de julho de 2009
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Embora os protestos na internet não tenham efeitos concretos, na opinião do cientista político Ricardo Caldas, a rede mundial de computadores ao menos já se tornou uma ferramenta para os movimentos sociais. Em 2006, a internet foi instrumento de organização para as ações do movimento estudantil na França contra as mudanças nas regras trabalhistas. A internet serve para estabelecer contatos, formar uma rede, mas ela não substitui o movimento das ruas. Ou seja, a internet é um meio, não pode ser um fim, afirmou Caldas.
Há dez dias, um grupo de estudantes pediu a renúncia de José Sarney (PMDB-AP), da presidência do Senado. Vestindo camisetas com a inscrição Fora Sarney, eles entraram no saguão da Casa. O protesto foi organizado pela internet.
Em Curitiba, o protesto intitulado Xô Sarney também foi organizado via internet. Segundo o coordenador da Juventude do PPS, Rafael Tarso, 27 anos, que encabeçou o movimento, a mesma agitação sentida no mundo virtual não foi transferida para o local marcado para ocorrer o protesto, na Boca Maldita, no Centro da cidade.
Cerca de 30 pessoas participaram do protesto no início do mês - um número inferior a outro evento organizado em abril também via internet, mas só a título de entretenimento, a guerra dos travesseiros, que reuniu cerca de 300 pessoas na Praça Santos Andrade, Centro de Curitiba. Era um sábado meio frio, a gente já não esperava uma mobilização grande. Mas a nossa expectativa era reunir pelo menos umas 70, 80 pessoas, contou ele. Para Tarso, o protesto na rua ao menos gerou notícia na mídia: É uma forma de chamar a atenção das pessoas para o problema.
Tarso acredita que o protesto virtual tem mais adesão porque é mais seguro. Quem quer aparecer no jornal usando nariz de palhaço na rua? A internet dá uma proteção, coloca ele. Para o cientista político Ricardo Caldas, a falta de um líder real também torna a mobilização na internet sem rosto, sem forma.
A internet, contudo, já faz parte de qualquer movimento que se pretende alcançar as ruas: Para o protesto Xô Sarney nós imprimimos 1 mil panfletos para distribuir nas ruas. E tinha gente que, quando recebia o papel, contava que já tinha lido o material na internet. Ou seja, a internet ajuda na divulgação das informações e diminui o custo. Tarso ressalta, portanto, que a internet é uma ferramenta eficaz e que a ausência de mobilização nas ruas é consequência de outras coisas: O jovem está distante da política. E se ele não conhece, e não compreende, como é que vai se envolver?.


