Curitiba - Embora os protestos na internet não tenham efeitos concretos, na opinião do cientista político Ricardo Caldas, a rede mundial de computadores ao menos já se tornou uma ferramenta para os movimentos sociais. Em 2006, a internet foi instrumento de organização para as ações do movimento estudantil na França contra as mudanças nas regras trabalhistas. ‘‘A internet serve para estabelecer contatos, formar uma rede, mas ela não substitui o movimento das ruas. Ou seja, a internet é um meio, não pode ser um fim’’, afirmou Caldas.
  Há dez dias, um grupo de estudantes pediu a renúncia de José Sarney (PMDB-AP), da presidência do Senado. Vestindo camisetas com a inscrição ‘‘Fora Sarney’’, eles entraram no saguão da Casa. O protesto foi organizado pela internet.
  Em Curitiba, o protesto intitulado ‘‘Xô Sarney’’ também foi organizado via internet. Segundo o coordenador da Juventude do PPS, Rafael Tarso, 27 anos, que encabeçou o movimento, a mesma ‘‘agitação’’ sentida no ‘‘mundo virtual’’ não foi transferida para o local marcado para ocorrer o protesto, na Boca Maldita, no Centro da cidade.
  Cerca de 30 pessoas participaram do protesto no início do mês - um número inferior a outro evento organizado em abril também via internet, mas só a título de entretenimento, a ‘‘guerra dos travesseiros’’, que reuniu cerca de 300 pessoas na Praça Santos Andrade, Centro de Curitiba. ‘‘Era um sábado meio frio, a gente já não esperava uma mobilização grande. Mas a nossa expectativa era reunir pelo menos umas 70, 80 pessoas’’, contou ele. Para Tarso, o protesto na rua ao menos gerou notícia na mídia: ‘‘É uma forma de chamar a atenção das pessoas para o problema’’.
  Tarso acredita que o protesto ‘‘virtual’’ tem mais adesão porque é ‘‘mais seguro’’. ‘‘Quem quer aparecer no jornal usando nariz de palhaço na rua? A internet dá uma proteção’’, coloca ele. Para o cientista político Ricardo Caldas, a falta de um ‘‘líder real’’ também torna a mobilização na internet ‘‘sem rosto, sem forma’’.
  A internet, contudo, já faz parte de qualquer movimento que se pretende alcançar as ruas: ‘‘Para o protesto ‘Xô Sarney’ nós imprimimos 1 mil panfletos para distribuir nas ruas. E tinha gente que, quando recebia o papel, contava que já tinha lido o material na internet. Ou seja, a internet ajuda na divulgação das informações e diminui o custo’’. Tarso ressalta, portanto, que a internet é uma ferramenta eficaz e que a ausência de mobilização nas ruas é consequência de outras coisas: ‘‘O jovem está distante da política. E se ele não conhece, e não compreende, como é que vai se envolver?’’.

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