São Paulo - A enxurrada de informações é o diferencial dessas eleições, mas grande parte da população não tem acesso. O alerta vem do consultor de economia do Contas Abertas, Gil Castello Branco, que fiscaliza o governo pelos dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), da Secretaria do Tesouro Nacional. ''No momento, lamentavelmente, o eleitor que recebe mais informações é justamente o mais informado'', diz.
''O fato novo nessa eleição é a quantidade de informações à disposição do eleitor. Ela foi ampliada, em muito, graças à internet'', comenta. ''Com absoluta certeza isso pode influenciar o voto, embora ainda não alcance o público que se pretenda.''
O Contas Abertas é relativamente novo. A entidade sem fins lucrativos - que faz questão de informar que é apartidária e não recebe recursos do governo - foi fundada em 9 de dezembro de 2005, Dia Internacional de Combate à Corrupção. Atende principalmente a jornalistas. ''Mas qualquer pessoa que nos procure buscando informações de gastos públicos, nós respondemos'', garante Gil.
Outro trabalho aborda o aumento de gastos em ano de eleição. ''Isso não foi só o governo Lula. O governo Fernando Henrique fez a mesma coisa. Em ano eleitoral , o governo aumenta os dispêndios tentando tirar algum dividendo eleitoral.''
A entidade apontou, também, o crescimento de despesa com o Bolsa-Família, de 56%, no mês passado. ''Isso tem forte componente eleitoral'', opina Gil. O programa é a menina dos olhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

mockup