q Governadores e prefeitos - Ganham o poder de demitir servidores estáveis. Reclamando do endividamento e falta de dinheiro para fazer investimentos, já que os gastos com folha de pessoal consomem quase toda a receita, governadores e prefeitos esbarram na estabilidade do servidor público para adequarem as despesas com pessoal ao limite de 60% da receita previsto em lei.
q Governo federal - Com o suposto equilíbrio dos gastos públicos estaduais e municipais, as aberturas feitas na reforma administrativa ajudarão o governo federal no ajuste fiscal. As novas contratações de servidores públicos, sem estabilidade, dão ao governo maior flexibilidade para mexer na máquina administrativa.
q Ministro Bresser Pereira - O professor e ministro da Administração é o principal interessado na aprovação da reforma administrativa. Disto depende o reconhecimento de sua atuação no governo, para o qual entrou com a tarefa de preparar uma reformulação profunda do Estado. Por diversas vezes na corda bamba para deixar o cargo e alvo de críticas de colegas do próprio governo, Bresser considera uma questão de honra deixar o Ministério só depois de garantida a reforma administrativa.
q Servidores dos ex-territórios - O substitutivo do deputado Moreira Franco que será levado ao plenário da Câmara abre a possibilidade da criação de um trem da alegria nos ex-territórios. Na proposta, Franco incluiu uma brecha para que servidores federais dos ex-territórios contratados sem concurso público até a Constituição de 1988 sejam efetivados, o que lhes tira a ameaça de demissão feita pelo Ministério da Administração.
q Usuários - A reforma administrativa traz a perspectiva de maior eficiência do serviço público. Pela proposta, os usuários passam a ter mais acesso a informações da administração pública e atos do governo, e participam da avaliação periódica de desempenho de servidores e qualidade dos serviços. O serviço público é alvo de constantes críticas dos usuários, que pagam altos impostos e não recebe o atendimento desejado.
A quem não interessa a reforma administrativa
q Servidores públicos _ Inflamados pelos seus sindicatos, os servidores rejeitam a reforma que é traduzida como a perda de direitos obtidos na Constituição de 1988. Tornam-se mais vulneráveis à demissão _ hoje um instrumento inócuo por causa da estabilidade _ e ficam submetidos a avaliações periódicas de desempenho.
q Turma da aposentadoria _ Pelo menos 140 parlamentares temem perder o direito de acumular salários com aposentadorias, com a proposta aprovada na comissão especial da Câmara, que limita todos os ganhos ao teto de R$ 10.800,00. Os parlamentares preparam uma manobra para que o texto a ser aprovado no plenário abra uma exceção a eles. Há também grupos de resistência no Congresso formados por deputados que representam o lobby de corporações no serviço público.
q Juízes _ Como a bancada dos aposentados no Congresso, os juízes e ministros de tribunais superiores querem que suas aposentadorias fiquem desvinculadas do teto salarial a ser fixado. Com a reforma, a magistratura, como também os procuradores, perdem autonomia, porque os governadores ganham o poder de fixar tetos salariais para a Justiça dos Estados. A reforma acaba também com a vitaliciedade do cargo de juiz.
q Servidores ‘‘marajás’’ _ A reforma acaba com os supersalários e limita todos os vencimentos a um teto equivalente ao subsídio de ministro do Supremo Tribunal Federal. Atualmente, pelo menos 10.035 servidores da administração direta ganham acima do teto de R$ 6.400,00 (salário dos ministros de Estado) e 1.760 recebem mais que o presidente da República, cujo salário é de R$ 8.500,00.

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