Interceptações revelariam contato com Beto Richa
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quinta-feira, 19 de abril de 2012
Luciana Cristo <br> Equipe da Folha 
Curitiba - O senador Roberto Requião (PMDB) subiu à tribuna do Senado ontem para sugerir que pessoas ligadas ao bicheiro Carlinhos Cachoeira teriam sido recebidas pelo governador Beto Richa (PSDB) cinco dias após ele ter sido eleito para o cargo, em 2010. Para explicar o encontro, Requião recomendou que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar conexões entre Cachoeira e agentes públicos e privados convide o governador do Paraná para depor. Requião citou matéria publicada em um jornal de Cuiabá que mostra supostas interceptações da Polícia Federal em e-mails do grupo de Cachoeira, que teriam sido trocados entre o argentino Roberto Coppola e Adriano Aprigio de Souza, cunhado de Cachoeira.
No discurso, Requião disse: ''O sr. Coppola manda um e-mail para o cunhado do Cachoeira, Afrísio (sic), nos seguintes termos: 'Ainda bem que aquele governador Roberto Requião saiu do Paraná'. E junto ao meu nome palavrões em espanhol, pesados palavrões. Mas ele, imediatamente, mostra a sua alegria: 'No entanto, fomos recebidos pelo novo governador eleito e a reunião foi muito boa'', leu o senador em discurso. E Requião continua: ''Em outros e-mails interceptados, verificamos que um dos assuntos da conversa deles, além da reabertura do bingo, do jogo, da licença absoluta com a contravenção, era, através de um contador especializado, calcular lucros cessantes desde o momento em que eu havia acabado com a jogatina e os bicheiros no Paraná''.
Em nota oficial, a Secretaria de Estado da Comunicação Social afirma que ''o governador Beto Richa não conhece, nunca falou e não tem qualquer relação com as pessoas de Roberto Coppola ou Adriano Aprigio de Souza'' e que Beto ''nunca tratou de qualquer proposta de reativação de serviço de loterias e nem autorizou qualquer membro do governo a tomar qualquer iniciativa com esse objetivo''. Ainda na nota, a assessoria de imprensa diz que a manifestação de Requião é ''descabida, injusta e infundada'', não devendo merecer crédito.


