Curitiba - A empresa de seguros Interbrazil fez doações para as campanhas de Angelo Vanhoni (PT) e Beto Richa (PSDB) à prefeitura de Curitiba. A afirmação é do ex-presidente da Interbrazil André Marques da Silva que prestou depoimento ontem na CPMI dos Correios instalada no Congresso Nacional. A Interbrazil é acusada de fraudar garantias de seguros em contratos milionários firmados com estatais, que teriam sido obtidos mediante tráfico de influência com membros do PT no governo federal. Marques teve que ser conduzido até o Congresso pela Polícia Federal, após ter se recusado a comparecer no depoimento marcado para terça-feira.
Segundo Marques, a Interbrazil teria interesse empresarial nas doações realizadas para campanhas eleitorais. Ele admitiu que seria uma forma da Interbrazil ser ''lembrada'' na hora da realização dos seguros. O empresário disse que a empresa fez doações para partidos em Goiás, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Paraná, onde teria feito doações aos candidatos a prefeitos em 2004. Marques afirmou também ter participado de um comício da campanha de Vanhoni.
Segundo o presidente da Interbrazil, as doações não teriam sido feitas em dinheiro, mas sim através de material de campanha. O site do Tribunal Superior Eleitoral não registra as doações estimadas da Interbrazil em nenhum dos estados citados por Marques. A única doação registrada é de R$ 250 a um candidato a vereador em Manaus (AM).
A Folha tentou contato com Vanhoni, mas foi informada que ele estava viajando. O deputado estadual Natálio Stica (PT), que participou da campanha de Vanhoni, afirmou não ter conhecimento das doações. ''Eu não cuidava da parte de arrecadação de recursos, mas não acredito que tenha havido as doações. Eu, pelo menos, nunca ouvi falar delas'', disse Stica.
O presidente estadual do PSDB, Valdir Rossoni, também negou qualquer remessa de material à campanha de Beto Richa. ''Já checamos a informação com as pessoas que cuidaram da arrecadação e elas negaram. Acredito que a acusação é apenas uma manobra para confundir os deputados federais. Ele deveria pelo menos dizer para quem entregou o dinheiro'', ressaltou.
Rossoni também cogitou a hipótese de Marques ter envolvido o PSDB em represália às investigações conduzidas pelo partido sobre as atividades da Interbrazil no Paraná. Na semana passada, Rossoni denunciou contratos firmados pela seguradora com a Copel no valor de R$ 1,2 bilhão e com a Administração dos Portos de Paranaguá (Appa), no valor de R$ 682 mil. A CPMI já aprovou a convocação do presidente da Copel Rubens Ghilardi. Tanto a Copel como a Appa afirmam que os contratos foram firmados porque a Interbrazil apresentou os melhores preços e documentos válidos em processo licitatório.

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