Interação entre as polícias é a meta de Delazari
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de maio de 2003
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O promotor público Luiz Fernando Delazari assume hoje a Secretaria de Estado da Segurança Pública. De acordo com Luiz Fernando, o maior desafio da área será promover a interação efetiva nos trabalhos das polícias Civil e Militar, e buscar recursos para reequipar as forças policiais do Estado.
Aos 32 anos, Luiz Fernando é um dos secretários mais jovens a assumir a pasta na história do Paraná. Filho do ex-procurador-geral de Justiça e atual ouvidor-geral do Estado, Luiz Carlos Delazari, o promotor ingressou no Ministério Público (MP) em 1993, e desde o ano passado estava locado na Promotoria de Investigação Criminal (PIC).
Para Luiz Fernando, a atuação da PIC deve ser utilizada como modelo para a implementação de um sistema efetivo de combate ao crime organizado. A promotoria mantém o Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco), uma unidade formada por promotores e policiais civis e militares.
O novo secretário acredita que a atuação da PIC e do MP em geral pesou na decisão do governador Roberto Requião (PMDB) de indicá-lo para a pasta. ''Entendo o convite do governador como um reconhecimento ao trabalho que o MP vem desenvolvendo especialmente nos últimos dez anos, quando foram implantadas políticas institucionais que revigoraram o combate à corrupção policial e ao crime organizado'', destacou.
Para assumir a secretaria, Luiz Fernando teve que pedir afastamento de suas funções como promotor junto ao Conselho Superior do MP no Estado. Pelo estatuto do órgão, o promotor permanecerá afastado de suas funções pelo período de um ano, quando o conselho deve reunir-se novamente para decidir se prorroga seu afastamento. Durante esse período, Luiz Fernando deve decidir se opta por receber os vencimentos como promotor ou como secretário estadual, uma vez que Constituição proíbe o pagamento dos dois salários concomitantemente.
Leia a seguir algumas das propostas e ideías do novo secretário sobre a área da segurança pública:
Integração das polícias - ''Sou contra a unificação da Polícia Militar e Civil, especialmente em momentos de crise na segurança como esse. O que deve haver é uma integração maior e uma afinidade nos trabalhos das duas instituições. Um exemplo é a inclusão de policiais civis no sistema do 190, o disque-polícia. Outra proposta em andamento é o geoprocessamento dos dados: um serviço de inteligência com informações das duas polícias, para que possamos mapear as ocorrências criminais no Estado. Aliás, a integração deve atingir também a Polícia Federal (PF). Tenho um bom relacionamento pessoal com a delegacia da PF no Paraná, e vamos trabalhar em conjunto no combate ao crime.''
Recursos - ''Atualmente, o orçamento da Secretaria da Segurança é de cerca de R$ 7 milhões por mês. Infelizmente, os recursos são poucos, especialmente se lembrarmos que ainda existem restos a pagar oriundos do governo anterior. Porém já temos planos para aumentar a captação de recursos na área. Eu participo do Grupo Nacional de Combate a Organizações Criminosas (GCNOC), no qual se discute a possibilidade de captar recursos de fundos internacionais, desde que haja um programa sério a ser implementado nos estados. Já antecipamos as negociações com esses fundos, e inclusive teremos um assessor especial justamente para fazer essa captação.''
Regiões críticas - ''Entendo que algumas áreas apresentam mais problemas na área de segurança, especialmente a Capital, pelo tamanho da população, e nas regiões de fronteira com outros países. Além disso, o governo e o MP está atento para o crescimento dos casos do tráfico de drogas e o roubo de cargas e carros. Nesse sentido, já foi determinada a criação de duas novas sedes da PIC no Estado, em Foz do Iguaçu e Londrina, para ajudar no combate ao crime organizado.''
Desarmamento - ''Qualquer política de segurança pública tem que incluir uma política de desarmamento. A decisão do governador Requião de pagar uma gratificação de R$ 100,00 para os policiais que trazerem armas pretende dar um estímulo ao policial honesto para que ele trabalhe com mais determinação e receba um prêmio pela sua qualidade de serviço. É uma maneira do Estado prestigiar o bom trabalho. A decisão não só será aceita, mas também incrementada, com operações em lugares críticos para aumentar o desarmamento.''
Estatuto da Polícia Civil - ''O novo Estatuto da Polícia Civil, elaborado pelo governo, veio para corrigir situações absurdas que vínhamos observando. Existem processos administrativos que estão tramitando há nove, dez anos. Como um policial acusado de uma falta grave pode permanecer atuando livremente? Os processos devem ser julgados rapidamente, para sabermos se o policial será absolvido e poderá continuar suas funções normalmente ou se é um policial corrupto e deve ser afastado. O estatuto veio para regulamentar isso.''


