Intentona Comunista levou à aproximação com o Reich
De acordo com a pesquisadora Denise Rocha, os contratos com a indústria bélica do Reich começaram quando, ancorado na ideologia de segurança nacional, o Exército brasileiro constatou sua própria fragilidade, em meados de 1935 (ano da Intentona Comunista). Para o governo Vargas, que priorizava a modernização das Forças Armadas, havia a necessidade de construção de uma rede militar nas regiões de fronteiras, na costa e no interior do País, para a proteção contra ameaças interna e externa.
Naquele ano, o então ministro da Guerra, João Gomes Ribeiro, informou o Conselho de Segurança Nacional sobre grande deficiência da tropa e dos equipamentos bélicos brasileiros. Em 19 de março de 1936, foi promulgada a Lei 312, que previa financiamento, em dez anos, de um programa de modernização das Forças Armadas. Em maio desse mesmo ano, o alemão Fritz von Bullow, representante da Krupp no Rio de Janeiro, visitou Gomes Ribeiro, demonstrando o interesse em reequipar as Forças Armadas brasileiras. Em julho, o chefe da Missão Militar Brasileira na Europa, general Leite de Castro, pertencente à diretoria de material bélico, foi à Alemanha para visitar as fábricas de armamentos.
Em agosto de 1936, segundo a pesquisadora, um major brasileiro, acompanhado por Heinrich Lange, representante da firma Demas - Deutshe Maschinsen A.G , visitou o Reich para conhecer fábricas de aviões (cuja venda para o Brasil era até então monopólio dos Estados Unidos). A comissão foi ao Reich sondar a possibilidade de aquisição de nove torpedeiros, dois navios-tanque, três cruzadores e uma doca-flutuante. Havia interesses em submarinos, e a forma de pagamento seria 500 mil sacas de café, marcos de compensação e divisas, explicou a pesquisadora. Nessa época, o governo brasileiro foi sondado pelas firmas alemães Krupp, Rhein Mettal Borsig AG e pela sueca Bofors, interessadas em vender canhões para o País.
O sonho naval, porém, foi a pique. Em 5 de junho de 1939, segundo o estudo, o departamento da Indústria do Ministério da Economia do Reich decidiu que os estaleiros alemães não poderiam entregar para o Brasil os submarinos pretendidos, já que estes deveriam ser fabricados para a Marinha de Guerra da Alemanha.
No começo da guerra, o Brasil responsabilizou-se com a Krupp que transportaria o material bélico fabricado na Alemanha. O País estava propenso a desrespeitar o bloqueio naval no Atlântico. Tanto que, na noite de 22 de novembro de 1940, o navio Siqueira Campos, saído de Lisboa, carregado de diversos tipos de canhões, foi capturado pelos ingleses, próximo a Gibraltar e levado para a Inglaterra. Por intervenção dos Estados Unidos, o navio foi devolvido ao Brasil sob a promessa de o País não transportar mais esse tipo de carga. No entanto, dois outros navios brasileiros - o Raul Soares e o Almirante Alexandrino - foram capturados transportando o mesmo tipo de carga.





