Curitiba - Ao abrir ontem pela manhã em Curitiba um evento dos Legislativos dos Estados brasileiros, o governador Roberto Requião (PMDB) falou sobre a sua polêmica declaração na ''escolinha'' da última terça-feira, na qual relaciona o câncer de mama masculino com as passeatas gays. Para a imprensa, o governador Requião revelou qual seria sua verdadeira intenção ao fazer a declaração: ''As minhas políticas sociais em relação às minorias existem desde a Prefeitura (de Curitiba). O que eu quis fazer foi uma advertência quanto ao uso de hormônios femininos e implantes de silicone, que podem ser perigosos, e uma advertência aos homens, que podem ser vítimas do câncer de mama''. Na entrevista, o governador Requião também reforçou que não teria preconceito: ''Se um dia eu me apaixonar por outro homem, preconceito nenhum vai impedir a minha felicidade''.
O governador Requião também deu sua interpretação em relação à repercussão negativa do episódio. ''Com a má-fé dos críticos, consegui tornar a campanha contra o câncer de mama extraordinariamente conhecida. Ela vai continuar funcionando e nós vamos conseguir extinguir o câncer de mama no Paraná.'' Para a imprensa, o peemedebista ainda ironizou o deputado estadual Professor Lemos (PT), que anteontem havia criticado o governador Requião: ''Quero pedir desculpas ao Lemos, pois eu nunca imaginei que eu fosse mexer com as suas opções sexuais. Ele, para mim, é respeitado como pessoa humana''.
Em entrevista ontem a uma rádio local, Lemos disse que se tratava de ''mais uma declaração infeliz'' do governador Requião. ''É uma brincadeira de mau gosto, que não ajuda em nada no combate ao preconceito.'' Lemos, que não foi o único parlamentar anteontem a criticar a frase do peemedebista na ''escolinha'', também sugeriu que o ataque é sinal de retaliação. ''Porque eu cobro investimento na educação, aumento salarial para os policiais militares e civis, equiparação dos salários dos professores aos dos servidores.''
O governador Requião sinalizou também que não pretende dar espaço a representantes do movimento LGBT na próxima ''escolinha'', pois, segundo ele, ''aquilo não é um circo''. A resposta contraria um decreto do próprio governador Requião, assinado em julho, no qual assegura o direito de resposta em qualquer programa da TV Paraná Educativa. Anteontem, um ofício assinado pelo presidente da Associação Paranaense da Parada da Diversidade (APPAD), Márcio Marins, e encaminhado ao Palácio das Araucárias, solicitava ''espaço ao vivo'' na ''escolinha''. Outro ofício, assinado pelo presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, Toni Reis, também solicitava uma audiência com o governador Requião.
Nota de esclarecimento
Em nota de esclarecimento assinada pelo governador Requião no início da noite de quarta-feira, o peemedebista já havia tentado se justificar, alegando que usou o ''tom lúdico'' ao falar sobre o câncer de mama masculino. Ele também escreveu que foi ''impiedosamente criticado'' por uma ''onda de recriminações''. ''Só conheço um gênero de pessoas - o gênero humano. O mais são opções e escolhas, que sempre respeitei, como cidadão ou governante. A minha vida pública tem sido uma teimosa, insistente luta em favor da liberdade e das minorias (...). Logo, não posso entender que orquestrem contra mim e meu Governo uma campanha tão forte, atirando-nos à vala dos preconceituosos e dos homófobos'', escreveu ele.

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