São Paulo - Intelectuais, artistas e ativistas fizeram nesta quinta (13), dia que marca os 50 anos da edição do AI-5 (Ato Institucional nº 5), um ato para lançar um manifesto em defesa da democracia.
O evento, na Faculdade de Direito da USP, foi organizado pelo centro acadêmico da instituição e pelo grupo Juntos pela Democracia, que reuniu mais de 7.200 assinaturas virtuais em documento pela defesa dos pilares democráticos.
O encontro começou com um minuto de silêncio em homenagem a Eunice Paiva, viúva do deputado Rubens Paiva, morta nesta quinta; à vereadora Marielle Franco; aos dois sem-terra assassinados na Paraíba no fim de semana; aos mortos e desaparecidos na ditadura militar; e aos negros e negras assassinados nas periferias do País.
Nos discursos, se repetiram falas críticas ao que foi chamado de "cultura do extermínio" no Brasil e a gestos do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), como suas homenagens ao coronel Carlos Brilhante Ustra, símbolo da repressão.
Para o advogado José Carlos Dias, "o AI-5 não pode se repetir". "O risco que nós sofremos hoje é o de termos a ditadura pelo voto", afirmou ele, que foi membro da Comissão Nacional da Verdade.
"O governo que está para assumir [de Bolsonaro] colocará em jogo não só as conquistas da democracia, mas a Constituição de 1988", disse João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST, conclamando os presentes a lutar também pela liberdade de Lula.
"Os negros nunca experimentaram o fim do AI-5. Nem as mulheres que sofrem violência diariamente", afirmou o pastor Ariovaldo Ramos, da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, que é negro.
De Celso Amorim, ex-ministro de Dilma e Lula: "A gente tem que manter a esperança. E é importante que as forças democráticas estejam juntas".
A artista Daniela Thomas, disse que "os governantes que vão entrar precisam saber que existe uma resistência dentro da sociedade, e que não é ligada a partidos políticos".
Entre os que assinaram o manifesto estão ainda: Chico Buarque, o professor emérito da USP Fábio Konder Comparato, os ex-ministros Rubens Ricupero e José Gregori e a historiadora Lilia Schwarcz.
O texto pede a "garantia das liberdades, dos direitos humanos individuais e sociais, do livre exercício da cidadania nos une, para além de eventuais diferenças e nuances ideológicas ou político-partidárias"

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