O conselheiro Quiélse Crisóstomo, do Tribunal de Contas (TC) do Estado, contestou ontem as declarações da secretária Raquel Budzinsky, que trabalhou com o ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, nos últimos anos. Em depoimento à Justiça Federal no dia 9, Raquel disse que Paolicchi conhecia os conselheiros Quiélse Crisóstomo e Artagão de Mattos Leão e o assessor Duilio Bento, todos do TC. Mattos Leão e Duilio Bento também se pronunciaram ontem – através da assessoria de imprensa do TC – e disseram que as visitas que fizeram a Maringá tiveram caráter oficial e técnico.
‘‘Eu não conheço o Paolicchi’’, disse Crisóstomo, irritado. ‘‘Eu o vi uma vez em um aeroporto, não lembro se de Londrina ou Maringá, quando estava a caminho de Colorado (85 quilômetros ao norte de Maringá).’’ Segundo o conselheiro, ele foi apresentado ‘‘a distância’’. ‘‘Me mostraram quem ele era. Mas eu nem lembro do rosto dele e não tenho ligação alguma com ele’’, afirmou. ‘‘Se ele me conhece, é simplesmente porque eu sou uma figura pública.’’
Crisóstomo fez questão de frisar que foi ele quem descobriu o rombo em Maringá. ‘‘Fui eu quem instalou a comissão para investigar os desvios na prefeitura, que chegam a R$ 50 milhões. Pela primeira vez o presidente do órgão destacou um procurador e uma equipe para se dedicarem à investigação’’, disse. O conselheiro também afirmou que nunca ia à Prefeitura de Maringá.
Através de nota divulgada pela assessoria, Mattos Leão disse que não visitava constantemente Maringá. ‘‘Durante três mandatos como presidente do TC fui três vezes àquela cidade, todas em caráter oficial, para abrir seminários de orientação a prefeitos da região’’, diz a nota. De acordo com ele, seu relacionamento com a prefeitura, em todas as gestões, foi ‘‘exclusivamente de caráter técnico’’.
Duilio Bento, também através de nota da assessoria, informou que ‘‘não fez qualquer indicação do nome do secretário das Finanças de Maringá, até porque não teria influência para tanto’’. O ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido), em depoimento à Justiça Federal, também no dia 9, disse que convidou Paolicchi para a pasta da Fazenda por indicação de membros do TC.
O assessor afirmou que ‘‘reconhece na pessoa de Paolicchi um bom profissional, um técnico capacitado nas áreas de finanças públicas e contabilidade’’. Ele afirmou ainda que as visitas a Maringá tiveram caráter oficial. ‘‘(Estive) articulando a realização de eventos técnicos para capacitação de prefeitos e vereadores, uma vez que até o final do ano passado respondia pela Fundação Escola de Administração Pública Municipal, unidade do TC que promove seminários e cursos em todo Estado.’’

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