James Alberti
De Curitiba
Integrantes da CPI do Narcotráfico viram com alívio a saída de Cândido Martins de Oliveira do comando da secretaria de Estado da Segurança Pública, anunciada ontem pelo governador Jaime Lerner. Na análise dos deputados federais, houve demora do governo estadual em tomar tal decisão, mas agora seria mais fácil investigar até que ponto iria a omissão ou a ligação de Candinho com o crime organizado. Depoimentos feitos à comissão parlamentar nos três dias de trabalho no Paraná acusaram o secretário de envolvimento com o narcotráfico.
‘‘O fato dele (Candinho) não estar mais na secretaria dá um alívio à CPI’’, disse o deputado Pompeu de Mattos (PDT-RS). ‘‘Não podemos prejulgar, mas os indícios do envolvimento dele com o crime organizado são muito grandes. Saltam aos olhos. Esse é um fato’’, afirmou. Há três semanas, quando a CPI ainda estava no Estado, o deputado gaúcho era um dos mais incisivos nos pedidos de afastamento do secretário. Para Mattos, a saída de Candinho, apesar de tarde, é relevante. ‘‘Numa situação dessas, qualquer tempo perdido é tempo, mas antes tarde do que nunca.’’
Essa mesma frase foi repetida pelo deputado Padre Roque Zimmermann (PT), único parlamentar do Paraná a integrar a CPI do Narcotráfico. ‘‘Vejo a saída do Candinho com a maior alegria do mundo’’, afirmou. ‘‘Pelo povo do Paraná, não por mim’’, emendou. Padre Roque disse acreditar que, a partir de agora, ‘‘a população do Estado pode esperar mais segurança e moralidade.’’
O deputado Robson Tuma (PFL-SP), acredita que, com o afastamento de Candinho, tenha chegado o momento do governador Jaime Lerner promover uma ‘‘limpeza geral’’ na segurança pública do Paraná.
Robson Tuma disse que deverá ser votado hoje um pedido para que Candinho seja ouvido novamente pela CPI do Narcotráfico. Pelo menos dois requerimentos pedindo novo interrogatório já foram remetidos à comissão. No primeiro depoimento, feito no Paraná, Cândido Martins teria sido poupado de perguntas mais apimentadas, depois de um acordo firmado após horas de negociação entre secretários do governo e os deputados. A expectativa dos parlamentares é de que Candinho seja ouvido no início do próximo mês.

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