Agência Estado
De Brasília
O presidente Fernando Henrique justificou ontem, durante a abertura do Congresso Brasil/Portugal 2000, sua insistência em pedir pressa na aprovação das reformas constitucionais. Ele explicou que o objetivo das reformas é garantir a integração social, recomendada por José Bonifácio de Andrada desde a época do Império. ‘‘Ele (Bonifácio) falava dos escravos, nós falamos dos deserdados do campo e da cidade, que são milhões, inaceitáveis milhões’’, comentou. ‘‘Eles são a única e imperativa razão que me faz clamar pela urgência das reformas.’’
FHC defendeu as reformas que vem fazendo no Estado, ‘‘sob a égide da social-democracia’’. Segundo ele, as mudanças não implicam na idéia de um Estado mínimo e são feitas ‘‘sob o sonho necessário da universalização dos benefícios sociais’’. ‘‘Longe de buscar a substituição do Estado pelo jogo dos interesses privados, o que estamos realizando é a autêntica desprivatização do Estado, para afirmar com mais força seu caráter público.’’
Mais tarde, em solenidade do Dia da Árvore no Planalto, FHC comparou a dificuldade do combate a focos de incêndio e queimadas às dificuldades políticas enfrentadas pelo seu governo. FHC afirmou que ‘‘a lucidez na política só aumenta a angústia’’ porque se sabe ‘‘que vai dar uma coisa errada, mas tem-se pouca força para impedir’’ que ela aconteça. ‘‘Vendo os mecanismos que nós dispomos hoje, de controle por satélite dos focos de queimada, me dá a mesma sensação: se vai dormir sabendo que a noite vai queimar e não se tem mecanismos suficientes para impedir que haja queimada.’’

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